Mike Johnson é Reeleito Presidente da Câmara dos EUA com Apoio de Donald Trump

Trump exerce influência decisiva em agenda republicana com foco em imigração e cortes fiscais.

Crédito: Nathan Howard

O republicano Mike Johnson foi reeleito como presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos na última sexta-feira (3), em um cenário marcado por desafios internos dentro de seu partido. A reeleição foi assegurada apenas após uma intervenção decisiva do ex-presidente Donald Trump, que contatou membros da bancada para convencê-los a apoiá-lo.

Em seu primeiro discurso após a confirmação da vitória, Johnson enfatizou que sua gestão se concentrará na implementação da agenda defendida por Trump durante a campanha. Ele destacou como prioridade a segurança das fronteiras, prometendo recursos adicionais para os agentes de imigração e o combate à imigração ilegal.

“Com a coordenação do presidente Trump, este Congresso irá fornecer aos nossos agentes de fronteira e imigração os meios necessários para desempenharem suas funções”, declarou Johnson. Ele reafirmou o compromisso de deportar imigrantes ilegais considerados perigosos e criminosos, além de concluir a construção do muro na fronteira.

Além das questões relacionadas à imigração, o deputado manifestou intenções de promover cortes fiscais e revisar as políticas do atual presidente Joe Biden, especialmente aquelas que incentivam a energia limpa. Johnson defende que os Estados Unidos devem diversificar seus investimentos, incluindo um foco renovado nos combustíveis fósseis.

A eleição de Johnson ocorreu simultaneamente à posse do 119º Congresso dos EUA. Com a vitória de Trump em 5 de novembro de 2024, os republicanos controlam ambas as casas legislativas. Na Câmara, o partido conta com 219 deputados, apenas um acima da maioria necessária de 218, uma vez que Matt Gaetz renunciou ao cargo após ser nomeado secretário da Justiça.

Johnson obteve 218 votos entre os 434 possíveis, enfrentando momentos críticos que quase resultaram em sua derrota na votação inicial. O apoio final veio após mudanças de posição de dois congressistas republicanos que haviam hesitado em votar nele. Esses membros pertencem ao “Freedom Caucus”, um grupo mais conservador dentro do partido, que expressou preocupações sobre Johnson antes de finalmente apoiá-lo devido ao seu vínculo com Trump.

A ausência de uma decisão favorável poderia ter atrasado a certificação da vitória de Trump no Colégio Eleitoral, algo que se tornou um desafio em anos anteriores. Durante a votação, o congressista Keith Self e Ralph Norman inicialmente se opuseram a Johnson, mas mudaram seus votos após uma ligação direta do ex-presidente solicitando apoio ao candidato.

Após a votação, Norman revelou detalhes sobre sua conversa com Trump: “Disse a ele que só queríamos que Mike Johnson o apoiasse para garantir seu acordo”. Essa declaração ilustra a estratégia utilizada por Trump para garantir uma unidade temporária dentro do partido.

Apesar das tensões internas, outros membros republicanos mantiveram-se solidários a Johnson. A situação evidencia a fragilidade da maioria na Câmara, o que poderá representar desafios futuros para a aprovação de legislações significativas.

No entanto, Johnson reafirmou seu compromisso com as prioridades estabelecidas por Trump. “Vou liderar os republicanos da Câmara em direção à redução do tamanho e alcance do governo federal e em busca de um futuro fiscal mais sustentável”, comentou.

Ele também anunciou a criação de um grupo para trabalhar em conjunto com figuras proeminentes como Elon Musk e Vivek Ramaswamy em iniciativas para reduzir gastos públicos e enxugar a administração federal. Johnson minimizou as divisões dentro do partido, afirmando: “Isso não diz nada. É parte do processo”.

No Senado, os republicanos ocupam 52 cadeiras contra 45 dos democratas e dois independentes alinhados com a oposição. O senador Marco Rubio foi eleito, mas renunciou ao cargo para assumir como secretário de Estado. John Thune foi escolhido como líder da maioria no Senado, enquanto Kamala Harris conduziu o juramento do novo Senado em uma cerimônia simbólica.

A nova composição do Congresso destaca uma predominância crescente de homens brancos mais velhos; atualmente, 74% dos membros são brancos. Esse aumento se reflete nas novas estatísticas comparadas aos dados de 2023 e 2024.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 03/01/2025
  • Fonte: FERVER