Michelle visita Jair Bolsonaro na PF

A ex-primeira-dama leva a filha Laura para ver Jair Bolsonaro; desavenças sobre o Ceará e veto a Carlos Bolsonaro revelam racha

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e sua filha, Laura, de 15 anos, realizaram uma visita crucial ao ex-presidente Jair Bolsonaro na manhã desta quinta-feira (4), na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O encontro, autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, é o primeiro com a filha mais nova desde que Jair Bolsonaro foi detido em 22 de novembro. No entanto, a visita, que durou aproximadamente 30 minutos e ocorreu sob forte aparato de segurança, expôs as fissuras políticas e familiares que se aprofundam no clã, com Michelle emergindo como uma figura central nas disputas internas do Partido Liberal (PL).

O encontro autorizado e o veto a Carlos Bolsonaro

Carlos Bolsonaro
Renan Olaz/CMRJ

Michelle e Laura chegaram ao local de detenção por volta das 9h30. A ex-primeira-dama, vestida com uma blusa que fazia referência a Israel, carregava uma Bíblia – um símbolo da fé que tem sido uma marca registrada de sua atuação pública. A presença de Laura, por ser menor de idade, justificou a entrada conjunta, conforme as regras estabelecidas pela Justiça.

A visita, contudo, ficou marcada pelo veto judicial ao pedido de Carlos Bolsonaro. O vereador havia solicitado ao ministro Alexandre de Moraes que adiasse o encontro familiar para o próximo domingo (7), data em que celebra seu aniversário. A negativa de Moraes em alterar a rotina de visitas — limitadas a terças e quintas-feiras, das 9h às 11h, com 30 minutos de duração — impediu a reunião no dia simbólico. Esse episódio ressaltou a tensão que paira sobre a família e seus aliados, com o ex-presidente Jair Bolsonaro sob custódia, condenado por tentativa de golpe.

O Epicentro da Crise: PL no Ceará e o fator Ciro Gomes

As movimentações familiares e judiciais ocorrem em meio a uma turbulência política que tem Michelle como pivô. A ex-primeira-dama expressou publicamente sua forte oposição à aliança que o PL estava costurando no Ceará com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), rival histórico de Jair Bolsonaro.

Em uma postagem incisiva nas redes sociais na última segunda-feira (2), Michelle deixou clara sua posição ideológica e pessoal: “Jamais poderia concordar em ceder meu apoio à candidatura de um homem que tanto mal causou ao meu marido e à minha família“, declarou.

O “Ruído de Comunicação” e a reconciliação em busca da unidade

Flávio Bolsonaro
Lula Marques/ Agência Brasil

Essa postura gerou uma onda de críticas públicas por parte dos filhos do ex-presidente, notadamente os que haviam apoiado a aliança estratégica com o PSDB para enfraquecer o PT no estado, atualmente governado por Elmano de Freitas. A crise se aprofundou, mas rapidamente houve uma tentativa de pacificação.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reconheceu ter pedido desculpas à madrasta após a visita a Jair Bolsonaro na PF. O senador descreveu o desentendimento como um “ruído de comunicação” e enfatizou que, apesar das divergências, o objetivo maior é a unidade familiar e partidária para derrotar o Partido dos Trabalhadores no Ceará. O recuo dos filhos e a subsequente suspensão do apoio formal do PL à candidatura de Ciro Gomes mostram a crescente influência política de Michelle na cúpula da legenda.

Michelle acelera no xadrez eleitoral

Isac Nóbrega/PR

Além do conflito no Ceará, a presença e a opinião de Michelle têm mobilizado o cenário eleitoral em outros estados, projetando-a como uma forte liderança feminina dentro do partido.

  • Em Santa Catarina, a ex-primeira-dama já sinalizou seu apoio à candidatura da deputada federal Carol de Toni (PL-SC), que busca uma vaga ao Senado nas eleições de 2026.
  • No Distrito Federal, há uma articulação interna no PL que sugere a formação de uma chapa com Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis (PL-DF) para o Senado, uma estratégia que visa maximizar a força eleitoral da sigla e pode, inclusive, marginalizar o governador Ibaneis Rocha (MDB) no xadrez local.

A visita a Jair Bolsonaro não foi apenas um gesto de apoio familiar em um momento de custódia judicial, mas também um ato que sublinha a centralidade de Michelle na política nacional. A ex-primeira-dama, com sua crescente atuação e influência nas decisões estratégicas do PL, demonstra que seu papel no cenário político é de protagonismo indiscutível, em meio às tensões familiares e às disputas regionais acirradas que marcam o partido.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 04/12/2025
  • Fonte: Fever