Michelle Obama fala de racismo, feminismo, Trump e futuro político em livro
Hoje, 13, no dia do lançamento do seu livro “Minha História", a ex-primeira-dama americana Michelle Obama conversa com a apresentadora Oprah Winfrey em um ginásio esportivo de sua cidade
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 13/11/2018
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Já foram vendidos dezenas de milhares de ingressos para o evento, com preços entre US$ 3 e US$ 3 mil.
O livro descreve a educação de Michelle no sul de Chicago, bem como a sua época na escola e na Universidade de Princeton.
Na segunda-feira, 12, a sua antiga escola de ensino médio, Whitney M. Young Magnet High School, em Chicago, Michelle fez uma roda de discussão com 20 estudantes que receberam trechos do seu livro de memórias. Em trechos recebidos pelos estudantes, ela escreve sobre a sua visão econômica e política do mundo durante a infância e a adolescência. Michelle diz que conhece a ansiedade de ser “parte do desafio universal de encaixar quem você é, com de onde você veio e para onde quer ir.”
Traduzida para 28 idiomas, “Minha História” começou a ser vendido nesta terça-feira no mundo todo. Michelle promoverá seu livro com uma turnê digna de uma estrela do rock, com palestras nos Estados Unidos e no Reino Unido mediadas por figuras famosas como a escritora Chimamanda Ngozi Adichie e as atrizes Reese Witherspoon e Sarah Jessica Parker.
Essa grande turnê contrasta com o tom íntimo da obra, na qual Michelle se esforça para superar o arquétipo clássico da primeira-dama e destaca experiências universais ligadas à sua vida familiar e profissional. Os trechos da obra divulgados pela imprensa chegaram às manchetes ao revelarem uma série de críticas da ex-primeira-dama ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Algumas noites não conseguia dormir, zangada por isso que chegou a acontecer”, admite a mulher de Barack Obama nas últimas passagens do livro. “Foi angustiante ver como o atual presidente levou muitos americanos a duvidarem de si mesmos e a duvidarem dos outros e temê-los. Às vezes me pergunto se em algum momento chegaremos ao fundo do poço”, acrescenta.
Michelle condena Trump, a quem caracteriza como “misógino”, por ter promovido, em 2011, o falso rumor de que Barack Obama não tinha nascido nos EUA. “Donald Trump, com suas insinuações estridentes e irresponsáveis, estava pondo em risco a segurança da minha família. E nunca o perdoarei por isso”, disse.
As demais memórias se afastam da polêmica, embora não faltem reflexões sobre seu extraordinário papel como a primeira mulher afro-americana de um presidente dos EUA.
“Nem por um segundo pensei que o cargo seria fácil e glamouroso. Ninguém a quem se aplicam os adjetivos ‘primeira’ e ‘negra’ poderia pensar isso”, explica Michelle. “Eu era mulher, negra e forte, algo que para certas pessoas queria dizer ‘zangada’. Era outro clichê prejudicial, algo que foi usado sempre para encurralar as mulheres das minorias”, completa.
Ser reduzida a um estereótipo racista incomodava Michelle, mas ela tentou não cair na armadilha e manteve a cabeça erguida, exemplificando o lema que popularizaria durante a campanha eleitoral de 2016: “Quando eles se rebaixam, nós nos elevamos”.
Michelle dedica a primeira parte do livro à sua infância e adolescência em um pequeno apartamento de um bairro humilde de Chicago, em uma família descendente de escravos.
Sua análise sobre as divisões de raça e classe, o machismo e a educação pública abrem passagem para uma segunda parte com foco no início de sua vida com Barack Obama, por quem se apaixonou com “uma explosão de desejo, gratidão, satisfação e espanto”.
A ex-primeira-dama, uma brilhante advogada formada em duas prestigiadas universidades, reconhece também que sentiu um “pingo de ressentimento” no início da carreira política do marido, que a relegou a ser “mãe trabalhadora em tempo integral e mulher em meio período”.
Michelle confessa que ela e Barack fizeram terapia de casal para superar esses atritos e as sequelas de um aborto espontâneo, que os levaram a conceber por meio de fecundação in vitro suas duas filhas, Malia e Sasha.
As memórias de Michelle prometem agitar a política em um momento no qual começam a ser especulados possíveis candidatos democratas para as eleições de 2020, mas ela continua firme diante do clamor de seus admiradores.
“Não tenho nenhuma intenção de me candidatar a nenhum cargo público, nunca”, garante ela no livro. (Com agências internacionais)