Michelle Bolsonaro descarta campanha para Flávio Bolsonaro após atrito
Ex-primeira-dama foca no Senado e se afasta da disputa presidencial do enteado após troca de mensagens ofensivas.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 15/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: PMSA
A decisão de Michelle Bolsonaro (PL) de não se engajar na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) gerou um novo foco de tensão na direita. O afastamento foi comunicado diretamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo fontes ligadas à ex-primeira-dama. Embora Flávio negue publicamente a racha, nos bastidores, a troca de acusações sobre supostas traições políticas definiu o distanciamento.
O estopim para a ruptura ocorreu no mês passado. O senador enviou uma mensagem sugerindo que a madrasta estaria articulando contra sua candidatura ao Planalto. Sentindo-se insultada, Michelle Bolsonaro avisou a interlocutores que, diferentemente de 2022 — quando percorreu o país em caravanas —, desta vez manterá uma atuação discreta na corrida presidencial. A prioridade será sua própria candidatura ao Senado pelo Distrito Federal e o cuidado com a filha, Laura.
Apesar do clima hostil, aliados afirmam que o cenário não é definitivo. Um pedido formal de desculpas e gestos concretos de aproximação por parte do enteado poderiam fazer a Michelle Bolsonaro reconsiderar sua posição.
Divergências sobre Tarcísio e ataques digitais
A preferência de Michelle por outro nome para a cabeça de chapa também alimenta o conflito. Interlocutores apontam que ela veria com melhores olhos a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), possivelmente compondo como vice. Essa inclinação ficou evidente quando a ex-primeira-dama publicou vídeos de Tarcísio criticando Lula e interagiu positivamente com Cristiane Freitas, esposa do governador.
Essa postura atraiu a ira da ala ideológica mais radical. O blogueiro Allan dos Santos criticou publicamente a ausência de apoio aos filhos do ex-presidente, ao que Michelle respondeu chamando-o de “Allan dos demônios”.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, tenta minimizar a crise publicamente:
“Falo com a Michelle diretamente e não vou alimentar tentativas de divisão fabricadas por fontes ocultas e mentirosas. Todos temos um objetivo em comum de resgatar o Brasil das mãos sujas do PT.”
Michelle Bolsonaro e os conflitos nos palanques estaduais
A disputa de influência não se restringe à esfera federal. A montagem dos palanques regionais colocou Michelle Bolsonaro em rota de colisão direta com os filhos do ex-presidente em diversas bases eleitorais.
Confira os principais pontos de atrito nos estados:
- Santa Catarina: Michelle declarou apoio à deputada Caroline de Toni para o Senado. O movimento contraria o acordo do PL, que prevê a candidatura de Carlos Bolsonaro (atualmente vereador no Rio) e o apoio à reeleição de Esperidião Amin (PP).
- Ceará: A ex-primeira-dama vetou qualquer aproximação com Ciro Gomes, defendendo a candidatura de Eduardo Girão. A postura irritou o clã Bolsonaro, que via em Ciro uma aliança estratégica defendida pelo próprio patriarca.
- São Paulo: Enquanto Michelle impulsiona Rosana Valle para o Senado, Eduardo Bolsonaro articula nomes como Gil Diniz e Mario Frias, expondo a falta de unidade partidária.
Pressão sobre aliados e o caso Nikolas Ferreira
A condução política de Flávio tem sido alvo de críticas reservadas dentro do próprio grupo. Aliados de Michelle Bolsonaro avaliam que o senador utiliza táticas de pressão para “enquadrar” lideranças, o que estaria desgastando relações com nomes de peso como Tarcísio de Freitas e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Nikolas, inclusive, precisou se defender publicamente após ser atacado por influenciadores ligados a Flávio, como Paulo Figueiredo. A cobrança seria por uma suposta falta de engajamento na pré-campanha presidencial e a recusa em disputar o governo de Minas Gerais.
“Não há qualquer declaração minha dizendo que não participaria da campanha presidencial no primeiro turno. Essa é uma narrativa claramente falsa, a ponto de ser patética”, escreveu o deputado no X.
A crise interna expõe a dificuldade do PL em unificar o discurso pós-Jair. Para que a direita chegue competitiva ao pleito, será necessário mais do que acordos de cúpula; será preciso pacificar a relação com a principal liderança feminina do partido, Michelle Bolsonaro.