Michel Temer defende diálogo direto entre Brasil e EUA
Temer enfatiza importância de conversas entre líderes, aborda polarização política e destaca papel do Judiciário em processos de anistia
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 18/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
No contexto atual das relações internacionais, o ex-presidente Michel Temer (MDB) manifestou sua opinião sobre a necessidade de um diálogo mais efetivo entre o Brasil e os Estados Unidos. Durante um evento promovido pela plataforma de investimentos AGF, realizado nesta quinta-feira (18), ele enfatizou que as interações devem ocorrer diretamente entre os líderes dos dois países, e não apenas em níveis partidários.
“A comunicação deve ser entre o presidente do Brasil e o presidente dos Estados Unidos. Se Lula fizer uma ligação, Trump certamente atenderá. Se eu ainda estivesse na presidência da Câmara, faria o mesmo com o presidente da Câmara dos EUA”, declarou Temer.
O ex-presidente recordou sua experiência no cargo, que se estendeu de 2016 a 2018, período que abrangeu parte da administração de Donald Trump. Ele relembrou um encontro ocorrido durante uma Assembleia Geral da ONU, onde esteve presente ao lado de líderes como Mauricio Macri, ex-presidente da Argentina, e Juan Manuel Santos, ex-presidente da Colômbia. “Trump nos perguntou diretamente como iríamos invadir a Venezuela. Fiquei surpreso e expliquei que nossas relações com o país eram amistosas”, relatou.
Temer ressaltou que a conversa ajudou a desmistificar a ideia inicial de Trump sobre uma possível intervenção na Venezuela, sugerindo que esse tipo de diálogo poderia ter um efeito similar na questão das tarifas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros.
Além disso, o ex-presidente abordou a polarização política no Brasil e a importância da oposição se unir em torno de um único candidato para as próximas eleições presidenciais. “Quando fui procurado por representantes estaduais, sugeri que se reunissem para elaborar um programa comum e escolher um candidato”, comentou.
Ainda nesta quinta-feira, Hugo Motta, atual presidente da Câmara dos Deputados, procurou Temer para discutir questões relacionadas à anistia. “Motta ouviu minhas opiniões sobre a necessidade de um grande pacto nacional. Acredito que não é suficiente aprovar a anistia sem um diálogo adequado entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário”, destacou Temer.
Ele enfatizou que a participação do Judiciário é crucial nesse processo. “Se não houver entendimento com o Supremo Tribunal Federal sobre a anistia, existe o risco de que as decisões do Congresso sejam derrubadas”, advertiu.
Por fim, Temer fez uma autocrítica sobre sua trajetória política: “Fui um presidente impopular, mas hoje sou um ex-presidente bastante popular”. Ele atribuiu sua capacidade de implementar reformas econômicas significativas durante seu mandato à falta de pretensões eleitorais, afirmando: “Como não tinha intenção de me candidatar novamente, pude fazer o que realmente o Brasil precisava”.