Metas de ano novo: por que poucos conseguem cumpri-las
Apesar das boas intenções, apenas 8% das pessoas conseguem atingir suas metas; especialistas explicam fatores emocionais e estratégias práticas para mudar esse cenário.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 07/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Com a chegada de um novo ano, muitas pessoas se dedicam a criar metas de ano novo, que vão desde praticar exercícios físicos e melhorar relacionamentos familiares até abandonar hábitos prejudiciais ou iniciar novos projetos. No entanto, um estudo da Universidade de Scranton, nos Estados Unidos, aponta que apenas 8% das pessoas conseguem cumprir essas metas antes que o próximo ciclo anual recomece.
Segundo Eduarda Basso, professora do curso de Psicologia da UniCesumar Curitiba, essa dificuldade está profundamente ligada a fatores emocionais, comportamentais e de planejamento. “As promessas fazem parte da essência humana, assim como o hábito de acreditar que algo pode mudar. O fim do ano traz consigo uma simbologia de renovação, de um recomeço com novas possibilidades. Isso gera, momentaneamente, motivação e engajamento para agir, mas, por outro lado, pode representar uma procrastinação, já que condicionamos as mudanças a um futuro incerto. Por isso, vale lembrar que o momento ideal para iniciar algo é sempre o agora.”
Principais metas e obstáculos para cumpri-las

De acordo com a especialista, as metas mais comuns incluem estar mais presente com a família, adotar hábitos mais saudáveis, praticar exercícios físicos ou iniciar um novo curso. Esses objetivos são prioritários porque estão ligados à segurança, aceitação pessoal e senso de pertencimento.
No entanto, a realidade de quem não alcança suas resoluções de ano novo está frequentemente relacionada à falta de planejamento estruturado e ao imediatismo. “Vivemos em uma época de pressa, onde esperamos resultados instantâneos. Promessas feitas sem um plano claro ou sem considerar as limitações práticas acabam virando um amontoado de palavras, que muitas vezes serão relembradas apenas no fim do próximo ano”, explica Basso.
Para cumprir metas, é necessário mais do que determinação: é preciso autoconhecimento e constância. A especialista recomenda que cada pessoa reflita sobre suas promessas, questionando: “Essa meta depende apenas de mim?”, “Quais mudanças no meu ambiente podem me ajudar a cumpri-la?” e “Quais passos práticos preciso tomar para alcançar esse objetivo?”. Ter clareza sobre esses aspectos transforma intenções em ações concretas e sustentáveis.
Estratégias para manter a motivação ao longo do ano

Manter a motivação ao longo do ano é outro ponto crucial para não abandonar as resoluções de ano novo. Revisar metas mensalmente, celebrar pequenas conquistas e ajustar objetivos durante o percurso são técnicas eficazes para evitar desistências. O apoio de outras pessoas também pode ser decisivo: “Ter uma rede de suporte fortalece o processo e pode trazer novas perspectivas para enfrentar os desafios”, reforça Basso.
Ferramentas digitais, como aplicativos de organização e produtividade, são aliadas importantes, mas sem disciplina e rotina, seu efeito é limitado. A especialista enfatiza que não se deve esperar um evento para agir: “A vida está acontecendo agora. Ao invés de apenas prometer, o segredo é priorizar ações práticas, estar em movimento, experimentar, e não ter medo de recomeçar, sempre alinhando metas aos próprios valores”.
Seguindo essas orientações, as resoluções de ano novo podem deixar de ser apenas promessas e se tornar objetivos alcançáveis, sustentáveis e alinhados à realidade de cada indivíduo.