Bebidas adulteradas com metanol causam 11 mortes em SP
A Polícia Civil de SP investiga bebidas alcoólicas com metanol após 11 mortes e 51 intoxicações confirmadas
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 18/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A Polícia Civil do estado de São Paulo, através do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), continua suas investigações com o objetivo de rastrear a cadeia produtiva e de distribuição de bebidas alcoólicas contaminadas com metanol. Este esforço é uma resposta ao aumento alarmante de casos de intoxicação na região.
Recentemente, o número de mortes confirmadas decorrentes da ingestão de bebidas adulteradas subiu para 11, conforme anunciado em um boletim oficial do governo paulista na última quarta-feira, dia 17. A nova vítima é um homem de 62 anos, residente em São Bernardo do Campo, que faleceu no dia 2 de dezembro após quase um mês internado em um hospital local.
A Prefeitura de São Bernardo informou que, até o momento, não foi possível determinar o local exato onde a vítima consumiu a bebida adulterada. Como medida preventiva, quatro estabelecimentos comerciais foram temporariamente interditados, mas já receberam autorização para reabrir. Contudo, um deles, localizado no bairro Taboão, ainda enfrenta restrições quanto à venda de bebidas destiladas.
Além disso, conforme os dados atualizados, foram registrados 51 casos confirmados de intoxicação por metanol, com quatro mortes ainda sob investigação em diferentes municípios: Guariba (39 anos), São José dos Campos (31 anos) e Cajamar (29 e 38 anos).
Metanol em bebidas:
O metanol é uma substância altamente tóxica utilizada industrialmente em solventes e produtos químicos. Quando ingerido, pode causar danos severos ao fígado e provocar a produção de compostos nocivos que afetam a medula espinhal, o cérebro e os nervos ópticos, resultando em cegueira, coma e morte. Além disso, sua ingestão pode levar a falências respiratórias e renais.
Desde o início das investigações sobre os casos de contaminação por metanol, a polícia prendeu 46 pessoas ligadas à falsificação e adulteração de bebidas alcoólicas, totalizando 66 prisões desde o começo deste ano. As ações da DPPC também resultaram na apreensão significativa de materiais: cerca de 140 mil vasilhames e mais de 22 mil garrafas foram confiscados, além de 481 mil itens como rótulos e lacres utilizados na falsificação.
De acordo com o Instituto de Criminalística, em análises realizadas em 149 investigações que envolveram 1.055 garrafas, foi detectada a presença de metanol em oito delas, totalizando 19 garrafas contaminadas.
A Polícia Civil também está investigando duas novas mortes suspeitas associadas à intoxicação por metanol. Em resposta a esta situação crítica, o Centro de Vigilância Sanitária do Estado orienta que bares e outros estabelecimentos redobrem seus cuidados em relação à origem dos produtos que comercializam.
Os sintomas da intoxicação por metanol podem variar e incluir ataxia (falta de coordenação), sedação excessiva, dor abdominal, náuseas, vômitos, cefaleia intensa, taquicardia e até convulsões. Caso alguém apresente esses sintomas após consumir bebidas desconhecidas, é crucial buscar atendimento médico imediatamente. Para localizar o serviço mais próximo, a população pode acessar a plataforma https://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/.
O Centro de Controle de Intoxicações (CCI-SP) também disponibiliza suporte para diagnóstico e orientação através dos números (11) 5012-5311 e 0800 771 3733.
Por fim, o governo paulista anunciou a criação de uma força-tarefa para aprofundar as investigações relacionadas à intoxicação por metanol e mitigar os riscos associados à venda dessas substâncias perigosas.