Meta lucrou US$ 16 bi com anúncios ilegais, diz agência

Documentos vazados apontam que 10% da receita da Meta veio de fraudes. Empresa nega as alegações.

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A Meta Platforms, conglomerado que controla o Facebook, Instagram e WhatsApp, está no centro de uma nova controvérsia sobre segurança. A empresa nega veementemente que prioriza lucros sobre o bem-estar dos usuários, destacando uma redução de 58% nas denúncias de fraudes e a remoção de 134 milhões de anúncios ilícitos em 2025.

Contudo, documentos internos revelados pela agência Reuters indicam que a Meta pode ter obtido uma receita de aproximadamente US$ 16 bilhões proveniente de anúncios ligados a fraudes e produtos ilegais somente em 2024.

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O Faturamento Bilionário com Golpes

Segundo os registros vazados, esse montante representaria cerca de 10% da receita anual total da companhia. A documentação, que abrange o período de 2021 a 2025, sugere que a empresa falhou em identificar e bloquear um volume considerável de anúncios fraudulentos.

Essa falha expôs bilhões de usuários a riscos significativos, incluindo golpes em comércio eletrônico, falsos investimentos, cassinos não licenciados e a venda de produtos médicos ilegais.

Falhas na Moderação e “Anúncios de Risco”

Um relatório interno datado de dezembro de 2024 revela um dado alarmante: a Meta exibe diariamente cerca de 15 bilhões de anúncios classificados como “de alto risco”, que apresentam indícios substanciais de fraude. Estima-se que esses anúncios, por si sós, gerem uma arrecadação de US$ 7 bilhões anualmente.

Notavelmente, muitos anunciantes fraudulentos já haviam sido sinalizados pelos sistemas internos. No entanto, a política da empresa é bloquear contas apenas quando há uma certeza de 95% sobre a fraude. Para casos suspeitos que não atingem esse limiar, a Meta aplica taxas mais altas como penalização.

Para agravar o cenário, pesquisas internas mostram que o algoritmo personalizado da Meta tende a exibir um volume maior de conteúdo fraudulento para usuários que já interagiram com golpes anteriormente.

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Meta Contesta as Acusações

Em resposta às alegações, Andy Stone, porta-voz da Meta, declarou que os documentos analisados “oferecem uma visão distorcida” das iniciativas da empresa no combate às práticas ilícitas.

Stone descreveu a estimativa interna de receita de fraudes como aproximada e excessivamente abrangente, afirmando que números mais precisos mostraram um valor menor, pois a estimativa inicial incluía anúncios legítimos.

O porta-voz reafirmou o compromisso da empresa: Nos últimos 18 meses, reduzimos em 58% as denúncias relacionadas a anúncios fraudulentos globalmente”.

Desafios e Comparação com Concorrentes

Apesar da defesa oficial, outros relatórios internos admitem os desafios. Um documento de maio de 2025 sugere que as plataformas da gigante da tecnologia são responsáveis por aproximadamente um terço dos golpes realizados nos Estados Unidos.

A análise interna também concluiu que “é mais fácil anunciar golpes nas plataformas da Meta do que no Google“, embora os motivos para essa constatação não tenham sido detalhados.

O Dilema: Receita vs. Regulação

Os documentos também indicam uma preocupação interna sobre a dependência de receitas obtidas através de anúncios irregulares, um risco conhecido como “violação de receita”.

A companhia admite internamente que pode enfrentar multas regulatórias de até US$ 1 bilhão por permitir anúncios fraudulentos. Apesar disso, as estimativas apontam que os lucros obtidos com essas práticas são consideravelmente maiores do que qualquer penalidade eventual.

Andy Stone, contudo, refutou que a Meta age apenas sob pressão regulatória: “Essa não é a política da empresa“, concluiu.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 06/11/2025
  • Fonte: Fever