Mesmo ganhando PSDB perde hegemonia em São Paulo
Vitória do tucano João Dória mantém PSDB vivo em São Paulo. Na capital, ex-vice de Alckmin, Márcio França (PSB) vence com ampla margem
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 29/10/2018
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Em contraste com as últimas eleições, o PSDB sofreu para conseguir emplacar a vitória neste domingo (28). Com 52% dos votos, o tucano João Doria venceu o candidato do PSB e vice de Geraldo Alckmin, Márcio França, que teve 48%. A diferença foi de pouco menos de 750 mil votos, que representam quatro pontos porcentuais.
Em uma eleição marcada por confrontos, Doria buscou, desde o primeiro turno, colar sua imagem à popularidade de Jair Bolsonaro (PSL), enquanto tentava vincular o antipetismo ao seu oponente. França, por sua vez, relembrou diversas vezes a saída de Doria da Prefeitura de São Paulo e seu conflito interno no PSDB à época da definição de quem seria o candidato do partido à Presidência da República. Acabou sendo Geraldo Alckmin, presidente da sigla, que saiu enfraquecido da disputa nacional, mesmo com amplo tempo de TV e candidatos aliados em São Paulo.
Muito diferente de 2014, ano em que não houve segundo turno, o Estado de São Paulo deixou de ser uma única mancha azul. O domínio do PSDB foi distribuído entre três candidatos que apoiavam Geraldo Alckmin na Presidência no 1º turno: Doria, França e Paulo Skaf (MDB). Alckmin optou por não aparecer com frequência nos palanques dos candidatos a governador. Mesmo antes do primeiro turno, com Alckmin em 4º lugar, Doria e Skaf deram sinais de apoio a Jair Bolsonaro. Márcio França optou pela neutralidade presidencial até o final e usou o apoio de Doria ao presidente eleito para acusá-lo de traição a Alckmin.
No segundo turno de 2018, as cores perdem tonalidade indicando maior disputa entre os candidatos. O governador eleito teve ampla margem no interior com concentração nas regiões centrais do Estado.
Nas cidades interioranas e de tradição tucana em que Doria perdeu, foi por pouca diferença. Ele ainda garantiu hegemonia nas regiões de Campinas, Piracicaba, Itapetininga e Sorocaba e herdou a maior parte dos municípios que deram vitória a Paulo Skaf (MDB), mesmo o presidente da FIESP dando seu apoio ao adversário derrotado.
Já Márcio França teve ampla vantagem na capital, onde moram um de cada quatro eleitores paulistas e a rejeição ao ex-prefeito é alta. O candidato do PSB conseguiu vitória apertada em várias cidades espalhadas no interior e nas regiões de fronteira com os estados vizinhos. O ex-prefeito de São Vicente conseguiu ainda criar bolsões contra o PSDB. Ele dominou em seu reduto na Baixada Santista, no grande ABC, na região de Presidente Prudente e pontal do Paranapanema, no Vale do Ribeira e ainda herdou pequena parte dos municípios de Skaf e todos os de Luiz Marinho (PT).
Apesar da vitória, a hegemonia tucana foi bastante corroída pelos adversários em ambos os turnos. Houve recuo do PSDB entre no 2º turno principalmente no oeste paulista, com algumas viradas. A capital foi o principal exemplo disso. São Paulo deu vitória a Doria com 26% dos votos válidos no primeiro turno. Na segunda votação, o tucano ficou em segundo lugar com 42% contra 58% de França. Fenômeno parecido também aconteceu em Mennucci, Populina, Indiaporã, Cardoso e em Mesópolis, onde, por exemplo, o PSDB tinha 45% no primeiro turno contra 22% de França. Já no segundo período da corrida eleitoral, Márcio França liderou a disputa com 51% contra 49% de João Doria.
Historicamente, o governo do Estado é definido em primeiro turno, tradição iniciada em 2002 e interrompida em 2018. Em 2002, os municípios que antes deram vitória ao candidato derrotado em 98, Orestes Quércia (MDB), foram dominados pelo PSDB. Genoíno (PT) até conseguiu vencer na região de Piracicaba e no ABC paulista, mas a disputa não foi ao segundo turno. A partir daí o PSDB viveria hegemonia quase absoluta no Estado de São Paulo, com Alckmin e Serra. Em 2006 o PSDB tem vitória ainda maior e passa a dominar também nas áreas petistas. Em 2010, com Mercadante (PT) como candidato, o partido forma o cinturão do ABC e consegue municípios do interior. Mas em 2014, Geraldo Alckmin leva o PSDB ao seu auge, quando vence em todos os municípios paulistas, exceto um: Hortolândia.