Mês da Mulher: supervisora ferroviária da ViaMobilidade atua na área há quase três décadas

Atualmente são 976 funcionárias nas linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda

Crédito: Divulgação/ViaMobilidade

Março – mês da mulher e, que celebra o papel feminino, a equidade de gênero e traz a importância da diversidade e da inclusão de mulheres na sociedade. Diante disso, a CCR ViaMobilidade, concessionária que administra os trilhos ferroviários em São Paulo, área predominantemente masculina, vem buscando mudar esse cenário e conta com mulheres em seu quadro de funcionários.

A ViaMobilidade 8 e 9, responsável pelas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, tem atualmente 510 mulheres, sendo 25% delas líderes em diversos setores. Entre os cargos mais ocupados por mulheres estão: agente de atendimento de segurança (145); operadora de trem (78) e líder de atendimento de segurança (45).

A ViaMobilidade, responsável pela linha 5-Lilás, possui 258 mulheres, sendo 28 delas líderes (25%). Já a ViaQuatro, responsável pela linha 4-Amarela do metrô, conta com 208 mulheres, sendo 28 líderes (25,9%).

Dentre essas mulheres, a história da Andrea Karla Monteiro (52), que atua como maquinista há 28 anos, é destaque na área e hoje, atua como supervisora de tráfego, ela atua diretamente em gestão, treinamento e capacitação de novos operadores e lidera uma equipe de 20 colaboradores, sendo 17 homens e 3 mulheres.

“Minha trajetória profissional começou de forma inesperada. Aos 21 anos, enquanto fazia cursinho pré-vestibular, meu namorado – hoje meu marido – me falou sobre um processo seletivo para diversos cargos em uma empresa. Decidi me inscrever, sem saber exatamente para qual função. Só depois descobri que a vaga era para maquinista”, relembra ela.

O processo seletivo incluiu uma prova de conhecimentos gerais, seguida por entrevista, exames médicos e, por fim, o treinamento. Em 1994, ela foi contratada e deu início a uma jornada que já dura 28 anos.

“Fazer parte do primeiro processo seletivo que permitiu a participação de mulheres foi um grande desafio. Fomos acolhidas por muitos, mas também enfrentamos resistência. O preconceito não vinha apenas dos colegas, mas também dos próprios usuários, que muitas vezes se recusaram a embarcar ao perceber que a condução era sob responsabilidade de uma mulher”, conta a maquinista.

Nessas quase três décadas, Andrea relembra que em uma das milhares de viagens, o que parecia mais um trajeto comum foi interrompido por uma movimentação estranha e um pedido de socorro, onde um grupo de passageiros agitava os braços desesperadamente. Ao reduzir, ela avistou um homem caído nos trilhos e sem pensar muito, acionou o freio de emergência.

“Eu sabia que cada segundo era crucial. Reagi no automático, parei a composição a centímetros do homem. O silêncio que se seguiu foi interrompido por um segurança que de pronto pulou para socorrer e gritou: maquinista, você conseguiu parar, ele está vivo”, recorda.

Olhando pela janela da cabine, ela via os passageiros na plataforma aplaudindo. E foi naquele momento, que Andrea compreendeu a importância da sua profissão. “Ali entendi que ser maquinista vai muito além de dirigir um trem. É carregar vidas, histórias e esperanças sobre os trilhos. Aquele dia nunca saiu da minha memória. Ele me lembra que, apesar dos desafios, do preconceito enfrentado no início da carreira e das dificuldades, o meu trabalho sempre foi, e sempre será, sobre responsabilidade, precisão e, acima de tudo, humanidade”, destaca.

Andrea é casada e mãe de três filhos com idades de 35, 28 e 26 anos. E afirma que olhando para trás, observa as barreiras que venceu, mostrando a capacidade da mulher dentro e fora da profissão. Em um ambiente quase que dominado por homens, ela orgulha-se ao ver a sua trajetória pelos caminhos ferroviários da maior metrópole da América Latina, onde inspira outras profissionais da área.

“Hoje, ao ver mais mulheres ingressando nessa profissão, sei que cada trilho percorrido por nós é uma conquista. Não somos apenas maquinistas. Somos guardiãs do destino de milhares de pessoas todos os dias. Pode parecer clichê dizer que “lugar de mulher é onde ela quiser”, mas essa é a verdade. Independentemente da profissão, acredito que o segredo está em exercer cada função com amor e dedicação. Esse é o caminho para o sucesso”, ressalta ela.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 11/03/2025
  • Fonte: FERVER