Mercosul expressa frustração com UE e evita crise venezuelana em cúpula

Declaração final do Mercosul no encontro em Foz do Iguaçu prioriza agenda comercial e amplia foco em novos parceiros internacionais

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Os países do Mercosul manifestaram desapontamento com o novo adiamento da assinatura do acordo comercial com a União Europeia (UE) e optaram por não incluir menções à crise política da Venezuela na declaração final da cúpula de líderes realizada neste sábado (20), em Foz do Iguaçu, no Paraná. O documento foi assinado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e concentrou-se principalmente em temas econômicos e de integração regional.

Acordo com a União Europeia segue sem data definida

No texto oficial, os presidentes do bloco sul-americano afirmaram que o tratado com a UE não foi formalizado conforme previsto devido à falta de consenso político entre os países europeus. Apesar da frustração, os líderes destacaram que a assinatura do acordo representaria uma sinalização positiva em meio ao cenário internacional atual, reforçando a integração entre os dois blocos econômicos.

Mesmo sem estabelecer um novo prazo, o comunicado expressa confiança de que a União Europeia concluirá seus trâmites internos, abrindo caminho para a formalização do acordo em um momento futuro.

Durante discurso na cúpula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter recebido uma carta da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, na qual ambos demonstram expectativa de aprovação do acordo em janeiro, período em que o Paraguai assumirá a presidência rotativa do Mercosul.

Lula cobra decisão política dos europeus

Ao abordar o impasse, Lula destacou que o acordo é resultado de mais de duas décadas de negociações e cobrou maior determinação dos líderes europeus. Segundo o presidente brasileiro, representantes da UE solicitaram mais tempo para discutir medidas adicionais de proteção ao setor agrícola, o que tem dificultado a conclusão do tratado.

O chefe do Executivo brasileiro afirmou que, sem coragem e vontade política, não será possível finalizar uma negociação que se arrasta há 26 anos, reforçando o discurso de pressão diplomática do Mercosul para destravar o processo.

Venezuela fica fora do documento final

Outro ponto de destaque da cúpula foi a ausência de qualquer menção à situação política e institucional da Venezuela no documento final. As divergências entre os países do bloco sobre o tema levaram, inclusive, ao encerramento do encontro sem a divulgação de um texto conjunto entre o Mercosul e os Estados associados, documento que tradicionalmente aborda questões geopolíticas regionais.

Atualmente, o Mercosul possui sete Estados associados: Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Panamá, que oficializou sua adesão em 2024.

As posições divergentes ficaram evidentes nos discursos dos presidentes. Enquanto Lula alertou que uma eventual intervenção armada na Venezuela teria consequências catastróficas, o presidente argentino, Javier Milei, elogiou a postura mais dura adotada pelos Estados Unidos contra o governo de Nicolás Maduro.

Bloco aposta na diversificação de parcerias comerciais

Na área econômica, a declaração conjunta reforçou a estratégia do Mercosul de ampliar e diversificar suas relações comerciais internacionais. Os presidentes manifestaram interesse em aprofundar diálogos exploratórios com parceiros considerados estratégicos para ampliar a inserção do bloco na economia global.

O texto destaca a retomada das negociações com o Canadá, o fortalecimento das relações com a Índia e os avanços nas conversas com Vietnã e Indonésia, países vistos como economias emergentes de rápido crescimento.

Além disso, o Mercosul reiterou o compromisso de avançar nas negociações comerciais com países da América Central e do Caribe, incluindo tratativas com El Salvador, Panamá e República Dominicana.

Integração regional, energia e novos documentos

Durante a cúpula, os líderes também discutiram o aperfeiçoamento do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), mecanismo criado para reduzir desigualdades entre os países-membros. O comunicado informa que os órgãos competentes foram orientados a dar continuidade aos trabalhos em andamento.

A transição energética foi outro tema da agenda, com foco na integração dos mercados de biocombustíveis e no desenvolvimento de combustíveis sustentáveis para a aviação. O bloco definiu ainda a realização de um estudo voltado ao setor sucroalcooleiro, com o objetivo de identificar oportunidades para fortalecer as cadeias produtivas regionais e facilitar o acesso a mercados internacionais.

Além da declaração final da cúpula, foram divulgados dois documentos adicionais: um sobre a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais e outro referente à questão das ilhas Malvinas.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 21/12/2025
  • Fonte: Fever