Mercosul encerra cúpula com frustração sobre acordo europeu

Documento final do Mercosul omite crise venezuelana após divergências entre Lula e Milei

Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O Mercosul encerrou sua Cúpula de Líderes em Foz do Iguaçu, neste sábado (20), sob um misto de desapontamento comercial e paralisia diplomática. O documento oficial assinado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai enfatizou a frustração do bloco com o novo adiamento da assinatura do acordo de livre comércio com a União Europeia. Embora o tratado estivesse previsto para ser selado hoje, resistências políticas no Velho Continente — especialmente ligadas à proteção agrícola — travaram o processo que já se arrasta por 26 anos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi incisivo ao cobrar “vontade política e coragem” dos dirigentes europeus. Durante seu discurso no Mercosul, Lula revelou ter recebido uma correspondência de Ursula von der Leyen e António Costa, líderes da Comissão e do Conselho Europeu, sinalizando uma nova tentativa de aprovação para janeiro de 2026. “Infelizmente, a Europa ainda não se decidiu”, lamentou o brasileiro.

Geopolítica: O silêncio sobre a Venezuela

Apesar da unidade no campo comercial, o Mercosul exibiu profundas rachaduras no campo geopolítico. A declaração final dos presidentes omitiu completamente a situação da Venezuela, o que impediu a redação de um documento conjunto com os Estados associados (Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Panamá).

O impasse foi personificado pelo embate direto entre Lula e o presidente argentino Javier Milei. Enquanto o brasileiro advertiu que uma intervenção armada na Venezuela seria “catastrófica”, Milei utilizou o espaço do Mercosul para exaltar a pressão exercida pelos Estados Unidos sobre o regime de Nicolás Maduro. Sem um denominador comum, o bloco preferiu o silêncio institucional para evitar um rompimento diplomático maior entre seus membros fundadores.

Expansão e novos horizontes comerciais

Diante da lentidão europeia, o Mercosul sinalizou que não pretende ficar refém de um único parceiro. A declaração conjunta deu ênfase à estratégia de diversificação de mercados, mencionando o interesse em intensificar “diálogos exploratórios” com outras potências econômicas.

“A assinatura do acordo com a UE daria uma sinalização positiva ao mundo, mas o Mercosul seguirá prospectando parcerias com potencial para incrementar a inserção do bloco na economia internacional”, diz o texto. O movimento é lido por analistas como uma tentativa de pressionar Bruxelas, mostrando que a América do Sul possui alternativas viáveis de comércio global caso o protecionismo europeu persista em 2026.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 20/12/2025
  • Fonte: FERVER