Mercedes amplia linha Axor e aposta em mais versatilidade no pesado

Novas configurações do caminhão incluem suspensão pneumática e versão plataforma para ampliar aplicações rodoviárias e logísticas no país

Crédito: (Divulgação/Mercedes-Benz)

A Mercedes-Benz decidiu acelerar a ofensiva no segmento de caminhões pesados no Brasil e anunciou a ampliação da linha Axor, modelo que voltou ao mercado no ano passado e agora ganha novas configurações voltadas ao transporte rodoviário de carga e às operações logísticas de médias e longas distâncias. A principal aposta da marca é ampliar a versatilidade do extrapesado com opções mais adaptáveis a diferentes perfis de operação, incluindo desde cargas mais sensíveis até aplicações mais severas em rotas mistas.

Entre as novidades, a fabricante passa a oferecer suspensão traseira pneumática para os cavalos mecânicos Axor 2038 4×2 e Axor 2545 6×2, modelos que seguem disponíveis também com suspensão metálica. Além disso, o Axor 2038 4×2 passa a contar com uma nova versão plataforma, o que amplia o leque de aplicações do caminhão no mercado brasileiro. Segundo a montadora, as novas configurações já estão disponíveis na rede de concessionárias.

A movimentação acontece em um momento em que o setor busca mais eficiência operacional, flexibilidade de frota e menor custo por operação, sobretudo em um cenário de pressão por produtividade, consumo de combustível, disponibilidade mecânica e adaptação às demandas específicas de cada cliente.

Mercedes tenta reposicionar o Axor entre robustez, conforto e custo operacional

Mercedes-Benz Novo Axor chega no mercado argentino
Divulgação/Mercedes Benz

O retorno do Axor ao mercado brasileiro não foi tratado pela Mercedes apenas como uma retomada de portfólio, mas como uma tentativa clara de recolocar o modelo em um espaço estratégico entre caminhões pesados que exigem robustez, confiabilidade e custo operacional competitivo. E, ao que tudo indica, a resposta inicial do mercado foi positiva.

De acordo com a empresa, em apenas seis meses de mercado o modelo superou a marca de 1.000 unidades vendidas no atacado em 2025, número que a montadora usa para sustentar a aposta de que o nome Axor ainda tem força comercial entre transportadores e frotistas. O vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, Jefferson Ferrarez, afirma que a nova fase do modelo busca unir tradição e atualização técnica. “Entregando robustez, força, desempenho, economia e confiabilidade, como prometemos no lançamento desses extrapesados, o Axor alcançou um êxito comercial marcante”, disse.

Hoje, a linha passa a contar com cinco configurações principais:

  • Axor 2038 4×2 P – caminhão plataforma com suspensão traseira metálica
  • Axor 2038 4×2 S – cavalo mecânico com suspensão traseira metálica
  • Axor 2038 4×2 S – cavalo mecânico com suspensão traseira pneumática
  • Axor 2545 6×2 S – cavalo mecânico com suspensão traseira metálica
  • Axor 2545 6×2 S – cavalo mecânico com suspensão traseira pneumática

A estratégia é clara: aumentar a competitividade do modelo oferecendo configurações mais próximas da realidade de operação de cada cliente, sem depender de uma solução única para todo tipo de transporte.

Suspensão pneumática mira cargas sensíveis e operação mais eficiente

Uma das principais mudanças anunciadas está na introdução da suspensão traseira pneumática, solução já usada no Actros e agora levada ao Axor como diferencial para aplicações rodoviárias em estradas pavimentadas. Na prática, a tecnologia ajuda a reduzir vibrações transmitidas à carga, o que pode ser decisivo em operações com mercadorias mais delicadas, frágeis ou sensíveis a impactos.

Segundo a Mercedes, esse sistema conta com quatro bolsas de ar por eixo, amortecedores telescópicos de dupla ação e barra estabilizadora, além de regulagem de altura feita por controle remoto ou diretamente no painel. No caso da versão 6×2, o conjunto inclui ainda suspensor do terceiro eixo, recurso importante para otimizar operação, desgaste e manobrabilidade.

A proposta é atender principalmente clientes de segmentos como:

  • eletroeletrônicos
  • bebidas
  • combustíveis
  • logística
  • milk run
  • transporte com implementos como baú, sider, carga seca, tanques e cegonheiros

Além do conforto ao rodar, a suspensão pneumática também tem impacto operacional. A regulagem de altura, por exemplo, facilita processos de engate e desengate de semirreboques, algo especialmente relevante para operações com alta frequência de acoplamento.

Suspensão metálica segue como escolha para rotas mais severas

Mercedes-Benz Axor - Caminhões
(Divulgação)

Se a versão pneumática tenta capturar aplicações mais refinadas e sensíveis, a suspensão metálica continua sendo a alternativa da marca para operações mais pesadas e severas, especialmente em rotas que misturam estradas de terra e rodovias ou exigem maior resistência estrutural ao longo do tempo.

É justamente nessa dualidade que a Mercedes tenta posicionar o novo Axor: de um lado, um caminhão preparado para operações logísticas mais sofisticadas; do outro, um modelo que mantém DNA de robustez e durabilidade para contextos mais duros, algo historicamente valorizado por transportadores brasileiros.

A montadora afirma que a suspensão metálica segue indicada para segmentos como:

  • agricultura
  • construção civil
  • transporte de máquinas
  • silos
  • graneleiros
  • carga seca
  • báscula
  • carrega-tudo

Versão plataforma mira cargas expressas e amplia uso do modelo

Outra novidade importante é a chegada do Axor 2038 4×2 plataforma, versão pensada para ampliar a presença do modelo em operações de cargas expressas e soluções de transporte com implementações específicas. O modelo utiliza parte da base técnica do cavalo mecânico, o que ajuda na padronização de peças e manutenção, com impacto direto no custo operacional.

Segundo a Mercedes-Benz, essa configuração é especialmente indicada para uso com reboques do tipo Romeu e Julieta e pode ainda receber um terceiro eixo por meio de implementadores, transformando-se em um extrapesado 6×2 com maior capacidade de carga. A versão chega com distância entre eixos de 4.600 mm, PBT técnico de 20.100 kg e CMT de 62.000 kg.

Motor, câmbio e cabine reforçam aposta em produtividade na estrada

No conjunto mecânico, o Axor utiliza o motor OM 460 LA, de 13 litros, já alinhado à legislação Proconve P8 (Euro 6). O propulsor aparece em duas faixas de potência, com 380 cv e 450 cv, e trabalha com o câmbio automatizado Powershift 3 Advanced de 12 velocidades, que oferece modos de condução Standard, Econômico e Power.

A Mercedes também reforça a modernização da cabine como argumento de venda. O caminhão chega com duas opções de cabine, Leito Teto Alto e Leito Teto Baixo, ambas com suspensão pneumática de série, além de itens como:

  • volante multifuncional
  • novo painel
  • partida por botão
  • chave inteligente
  • banco pneumático com 11 regulagens
  • display com sistema EcoSupport

Na segurança, o modelo traz um pacote que inclui EBS, ABS, ASR, Hill Holder, ESC, EBD, ESS, alarme de ré com luzes intermitentes e opção de faróis em LED.

Axor volta mais competitivo, mas disputa no pesado seguirá apertada

Vendas da Mercedes-Benz, caminhão Axor
(Divulgação)

No fim das contas, a ampliação da linha mostra que a Mercedes-Benz recolocou o Axor como um produto central na disputa do segmento extrapesado, especialmente em um mercado cada vez mais pressionado por custo total de operação, disponibilidade, conforto ao motorista e versatilidade de aplicação.

  • Publicado: 31/03/2026 14:00
  • Alterado: 31/03/2026 14:01
  • Autor: Edvaldo Barone
  • Fonte: Mercedes-Benz