Mercado reduz previsão para expansão da economia em 2025

Expectativa para o PIB cai de 1,98% para 1,97%

Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Na última segunda-feira (31), em Brasília, o Boletim Focus revelou uma revisão nas expectativas do mercado financeiro para o crescimento da economia brasileira em 2025. A pesquisa, realizada semanalmente pelo Banco Central (BC), coleta opiniões de instituições financeiras sobre indicadores econômicos cruciais.

Para o ano corrente, a projeção de crescimento foi ajustada levemente, passando de 1,98% para 1,97%. Já para 2026, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) se mantém em 1,6%. Em relação aos anos de 2027 e 2028, o mercado prevê uma expansão estável de 2% para ambos os períodos.

O crescimento da economia brasileira foi notável em 2024, registrando uma alta de 3,4%, o que representa a quarta sequência de crescimento anual. Este resultado é considerado o mais expressivo desde 2021, quando o PIB alcançou um aumento de 4,8%.

A cotação do dólar também foi abordada nas previsões do boletim, com expectativas de que a moeda norte-americana alcance R$ 5,92 até o final deste ano e R$ 6 até dezembro de 2026.

Projeções de Inflação

A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve como indicador oficial da inflação no Brasil, foi mantida em 5,65% para o ano de 2025. Para os anos subsequentes, as estimativas são de 4,5% para 2026, seguidas por 4% em 2027 e 3,78% em 2028.

Importante ressaltar que a estimativa para 2025 ultrapassa o teto da meta de inflação estipulada pelo Banco Central. De acordo com o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é fixada em 3%, com um intervalo tolerável de variação de até 1,5 ponto percentual.

A inflação oficial apresentou um aumento significativo em fevereiro, com uma taxa de 1,31%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este índice é o mais alto desde março de 2022 e representa uma inflação mensal considerável desde fevereiro de 2003. No acumulado dos últimos doze meses, o IPCA apresenta uma alta totalizando 5,06%.

Taxa Selic e Política Monetária

O Banco Central continua utilizando a taxa básica de juros (Selic) como seu principal instrumento para alcançar as metas inflacionárias. Atualmente fixada em 14,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), essa taxa sofreu um aumento recente em resposta à alta nos preços dos alimentos e energia e incertezas na economia global.

Em sua última reunião, o Copom optou por elevar a Selic em um ponto percentual, marcando o quinto aumento consecutivo dentro do atual ciclo de contração monetária. O colegiado destacou que apesar da economia apresentar sinais de aquecimento moderado, os índices inflacionários permanecem elevados.

Além disso, o Copom alertou sobre os riscos relacionados à inflação dos serviços e reiterou seu compromisso com a vigilância contínua sobre a política econômica vigente. Para as próximas reuniões, a expectativa é que a elevação da Selic ocorra em menor magnitude durante a reunião agendada para maio.

A projeção do mercado é que até o final deste ano a taxa básica suba para 15% ao ano. Para os anos seguintes – 2026, 2027 e 2028 – as previsões são de redução gradual dessa taxa para níveis que variam entre 10% e 12,5% ao ano.

Efeitos da Alta da Selic

O aumento na taxa básica tem como objetivo controlar a demanda aquecida na economia. Contudo, essa estratégia pode impactar diretamente os preços ao encarecer o crédito e incentivar a poupança. É relevante notar que além da Selic, os bancos consideram outros elementos ao determinar as taxas cobradas dos consumidores, incluindo riscos associados à inadimplência e custos operacionais. Consequentemente, taxas mais altas podem representar um obstáculo à expansão econômica desejada.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 31/03/2025
  • Fonte: PMSA