Mercado ilegal de bets causará prejuízo de R$ 10,8 bi até o fim de 2026
Estudo inédito projeta domínio de 72% das operações não reguladas no país. Especialista aponta riscos graves à renda familiar e saúde mental.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 05/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O mercado ilegal de bets apresenta um crescimento alarmante e deve representar 72% de todas as transações do setor no Brasil até o ano de 2026. Dados levantados pela YieldSec indicam que operações sem licença ampliarão os riscos financeiros e emocionais dos brasileiros em um período crítico de fragilidade regulatória.
A ausência de fiscalização efetiva cobra um preço alto. Estimativas da LCA Consultores apontam que o país sofrerá perdas anuais de R$ 10,8 bilhões em arrecadação e produtividade. O impacto atinge diretamente o bolso do consumidor: jogadores com comportamento de risco chegam a comprometer 20% da renda mensal com jogos, conforme aponta o Journal of Gambling Studies.
Diante da iminente formalização do setor, Jezriel Francis, CEO da startup mineira O Aposta Zero, adverte que a crise deve se intensificar. A regulamentação nacional exporá feridas sociais que hoje permanecem ocultas sob a superfície do mercado ilegal de bets.
Impactos do mercado ilegal de bets na economia doméstica
A entrada em vigor das novas regras nacionais de apostas ocorre em um cenário de vulnerabilidade econômica da população. Para Francis, a formalização funciona como um holofote sobre uma crise silenciosa. O aumento das denúncias e a revelação de jogadores endividados trarão à tona casos graves de colapso emocional.
“A regulamentação ilumina uma crise silenciosa e mostra o tamanho real do problema, especialmente porque o Brasil ainda não conta com políticas estruturadas de prevenção ao vício em jogos”, afirma o executivo.
Enquanto as leis tentam alcançar a realidade, o mercado ilegal de bets avança rapidamente e cria armadilhas práticas para o apostador. Plataformas não reguladas operam sem qualquer critério de segurança, tornando o ambiente fértil para fraudes e dependência comportamental.
Os principais riscos identificados nessas operações obscuras incluem:
- Manipulação de odds: Alteração de probabilidades para prejudicar o usuário.
- Bloqueio de saques: Retenção indevida do dinheiro dos apostadores.
- Coleta irregular de dados: Uso indevido de informações pessoais.
- Ausência de limites: Falta total de mecanismos de parada ou teto de perdas.
- Falta de verificação: Acesso liberado para menores de idade.
Tecnologia como barreira contra o vício
A carência de mecanismos nacionais de prevenção agrava o cenário. Clínicas especializadas em dependência ainda são raras, caras e concentradas nas grandes capitais. Isso deixa milhões de usuários à mercê da própria sorte enquanto o mercado ilegal de bets segue operando sem travas.
Jezriel Francis destaca que a proteção não pode depender apenas da repressão, mas também do suporte acessível. A startup Aposta Zero surge nesse contexto oferecendo ferramentas digitais focadas em autocontrole e redução de danos. A plataforma disponibiliza recursos vitais para quem busca recuperar a autonomia financeira:
- Monitoramento de impulsos em tempo real.
- Definição de limites personalizados.
- Trilhas educativas sobre jogo responsável.
- Apoio sigiloso e seguro.
O objetivo é democratizar o cuidado, levando assistência a regiões onde o atendimento psicológico especializado inexiste.
A urgência de políticas públicas integradas
O debate sobre o setor não pode se restringir apenas à arrecadação de impostos. É necessário focar no impacto real sobre a população. Francis categoriza a situação atual como um fenômeno de saúde pública urgente.
Se o crescimento projetado para o mercado ilegal de bets se confirmar, milhões de brasileiros ficarão expostos sem qualquer rede de proteção. O especialista defende que o Brasil precisa implementar políticas estruturadas que unam três pilares: regulação firme, fiscalização ativa e suporte psicológico abrangente.
Tecnologia e comunicação assertiva desempenham papéis fundamentais nessa etapa de transição. Somente com uma abordagem integrada será possível frear o avanço descontrolado do mercado ilegal de bets e mitigar os prejuízos bilionários previstos para os próximos anos.