Mercado gamer no ABC atrai jovens e movimenta a economia

Região vive um boom no cenário gamer, com jovens, lojas e iniciativas movimentando a economia, a cultura e novas formas de sociabilidade.

Crédito: Freepik

O setor de jogos eletrônicos deixou de ser apenas um passatempo para se tornar um fenômeno econômico e cultural em todo o Brasil. Estima-se que o país reúna mais de 100 milhões de gamers e movimente bilhões de reais anualmente. No Grande ABC, essa realidade também ganha força, seja entre jovens conectados, adultos nostálgicos ou comerciantes que enxergam nos games uma oportunidade de mercado e de fortalecimento cultural.

Para entender como essa cena vem se consolidando, ouvimos duas referências locais: a Expo Games ABC e a Mobile Games ABC, que compartilharam suas percepções sobre o perfil dos jogadores, os desafios e o potencial do setor na região.

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Quem são os gamers do ABC?

O perfil médio dos jogadores do ABC é diverso, mas apresenta características claras. Segundo a Expo Games ABC, o público mais frequente está na faixa de 15 a 30 anos, geralmente conectado à cultura pop, tecnologia e animes. A presença feminina cresce a cada ano, ampliando a diversidade dentro do setor.

Outro destaque é a comunidade 35+, que costuma se conectar aos jogos por meio da nostalgia. São jogadores que buscam consoles e títulos retrô, relembrando experiências da infância e mantendo viva a memória gamer.

Mercado gamer no ABC atrai jovens e movimenta a economia
Divulgação/Expo Games ABC

A Mobile Games ABC reforça que a transformação do perfil gamer é global. Se antes a prática era majoritariamente masculina, hoje a participação das mulheres é significativa, refletindo uma tendência mundial.

Jogos como sociabilidade e expressão cultural

Os games, para muitos jovens do ABC, ultrapassam o entretenimento. Eles representam uma forma de criar vínculos, expressar identidades e até explorar caminhos profissionais. “É nos jogos que eles encontram amigos, compartilham experiências e se abrem para possibilidades como streaming, campeonatos e produção de conteúdo”, explica a Expo Games ABC.

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Foto: Freepik

Essa realidade também está ligada ao avanço tecnológico e à popularização da internet. A Mobile Games ABC observa que as brincadeiras de rua vêm sendo substituídas pelas telas. Crianças e adolescentes encontram nos jogos uma nova maneira de interagir, criando laços sociais que atravessam fronteiras geográficas.

Falta de políticas públicas e o papel da iniciativa privada

Apesar da relevância cultural e econômica, ainda há poucos incentivos governamentais voltados diretamente ao setor de games e e-sports. No ABC, iniciativas públicas se restringem a eventos culturais que eventualmente abrem espaço para a temática.

A maior parte da movimentação vem de coletivos independentes e de empresas locais. A Expo Games ABC, por exemplo, organiza eventos, concursos de cosplay e campeonatos, promovendo não apenas o lazer, mas também ações sociais, como arrecadação de alimentos.

Já a Mobile Games ABC ressalta a necessidade de maior compreensão por parte das autoridades: “Os games no Brasil ainda são vistos como jogos de azar. É preciso uma mudança de mentalidade para que o setor seja reconhecido como esporte e instrumento educacional, capaz de desenvolver coordenação motora, habilidades cognitivas e até auxiliar em tratamentos de fisioterapia”.

Mercado gamer no ABC atrai jovens e movimenta a economia
Foto: Divulgação

ABC conectado ao cenário nacional e global

Se por um lado faltam políticas locais, por outro o digital aproximou a região de um contexto mais amplo. Jovens do ABC acompanham lançamentos globais, participam de comunidades online e marcam presença em campeonatos nacionais.

Lojas oficiais também ajudam a conectar o mercado local ao internacional. “Hoje, em uma loja oficial no ABC, é possível encontrar os mesmos produtos disponíveis em Orlando ou Nova York. Isso nos coloca na vanguarda do setor”, aponta a Mobile Games ABC.

Essa conexão direta fortalece criadores de conteúdo, times de e-sports e lojistas, permitindo que a região se destaque dentro de um dos segmentos que mais movimentam capital no mundo — atrás apenas de armas e cosméticos.

Desafios de quem quer viver dos games

O entusiasmo com o universo gamer no ABC não elimina os desafios. Estrutura precária, internet de baixa qualidade e altos preços de equipamentos são barreiras frequentes. Além disso, muitos ainda não reconhecem os games como carreira legítima, dificultando o acesso a patrocínios e oportunidades profissionais.

A Mobile Games ABC destaca ainda o peso da tributação no Brasil, que encarece consoles e acessórios, restringindo o acesso a jovens de classes populares. “Há uma demanda reprimida enorme. Com preços mais acessíveis e políticas de incentivo, o setor poderia se expandir muito além da classe média”, ressalta.

Lojas como espaços de cultura e encontro

Mais do que pontos de venda, as lojas especializadas se consolidam como espaços de encontro e valorização da cultura gamer no ABC. A Expo Games ABC busca justamente essa função: ser um centro de convivência, promovendo campeonatos, incentivando artistas e conectando o público local ao cenário nacional e global.

Outro diferencial é o compromisso social. A Expo Games ABC tem como propósito unir entretenimento e solidariedade: em cada evento realizado, a arrecadação de alimentos é uma prática constante. Essa iniciativa reforça o papel da comunidade gamer não apenas como consumidora, mas também como agente de transformação social na região.

Mercado gamer no ABC atrai jovens e movimenta a economia
Foto: Divulgação/Expo Games ABC

Já a Mobile Games ABC, com mais de 250 mil seguidores nas redes sociais, acredita que a região tem potencial para abrigar diversas lojas oficiais. “Isso movimentaria a economia, fomentaria eventos e ajudaria a consolidar os games como parte fundamental da sociedade contemporânea”, conclui.

O futuro gamer no ABC

O cenário gamer no Grande ABC está em plena expansão. Entre jovens que transformam o hobby em profissão, adultos que revivem memórias e lojas que se posicionam como agentes culturais, a região mostra que os games são muito mais que lazer.

O desafio agora é ampliar o acesso, reduzir as barreiras financeiras e conquistar o reconhecimento institucional necessário para que essa indústria continue a crescer. Enquanto isso, a comunidade segue ativa, conectada e cada vez mais protagonista dentro do universo global dos jogos eletrônicos.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 31/08/2025
  • Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA