Mercado de trabalho atinge marcas históricas; há divergências sobre pleno emprego

Taxa de desemprego cai para 5,8%, menor índice desde o início da série histórica, mas IBGE alerta para desigualdades regionais

Crédito: Foto: Alex Cavanha/PSA e Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O mercado de trabalho no Brasil registrou números inéditos no segundo trimestre de 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar dos recordes, o órgão evita classificar o cenário como pleno emprego, apontando que não existe uma métrica unificada para definir esse conceito.

Indicadores em alta e novos recordes

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), a taxa de desocupação recuou para 5,8%, a menor desde o início da série em 2012. O nível de ocupação atingiu 58,8% da população com 14 anos ou mais, o que representa 102,3 milhões de pessoas trabalhando.

Outros recordes incluem o número de empregados com carteira assinada no setor privado (39 milhões), profissionais por conta própria (25,8 milhões) e a renda média mensal, que chegou a R$ 3.477. Para o economista Sergio Vale, da MB Associados, o país já estaria em pleno emprego, uma vez que a taxa de desemprego está abaixo da chamada Nairu, estimada em 8%, o que indicaria um mercado aquecido e com reflexos na inflação.

Desigualdades regionais e impactos na inflação

Apesar do desempenho positivo, o IBGE ressalta diferenças expressivas entre as regiões. No primeiro trimestre, 16 das 27 unidades da federação apresentaram taxas de desemprego superiores à média nacional de 7% na época. Pernambuco (11,6%) e Bahia (10,9%) lideraram o ranking de maiores índices, enquanto Santa Catarina (3%) e Rondônia (3,1%) registraram os menores.

Os efeitos do mercado aquecido também têm sido percebidos nos preços. A inflação de serviços acumulou alta de 6,18% em 12 meses até junho, acima do índice geral (5,35%), segundo o IBGE. Para o economista Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, o cenário atual caracteriza pleno emprego e tende a pressionar os preços.

Informalidade e “desemprego disfarçado”

Nem todos os especialistas concordam que o Brasil viva pleno emprego. Para o professor José Luis Oreiro, da Universidade de Brasília, a elevada informalidade, que ainda atinge 37,8% dos ocupados, e a presença de trabalhadores em atividades de baixa produtividade configuram um “desemprego disfarçado”.

O economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, acrescenta que, apesar dos bons indicadores, persistem desafios estruturais, como as mudanças demográficas e tecnológicas, que podem alterar a dinâmica do mercado de trabalho no médio prazo. “Taxas de desemprego mais baixas não significam que o mercado esteja perfeito”, avalia.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 03/08/2025
  • Fonte: Fever