Mercadão de Campinas: Atrasos nas obras prejudicam comerciantes

Iniciadas em julho de 2023, as reformas no Mercadão têm se estendido por mais de um ano

Crédito: Reprodução EPTV

A revitalização do Mercado Municipal de Campinas, carinhosamente conhecido como Mercadão, enfrenta desafios significativos com atrasos contínuos nas obras. Enquanto isso, as lojas foram deslocadas para uma tenda provisória instalada no estacionamento, o que levanta preocupações sobre as vendas durante a crucial temporada de festas.

Iniciadas em julho de 2023, as reformas no Mercadão têm se estendido por mais de um ano, prejudicando as operações comerciais. Os permissionários foram obrigados a transferir seus negócios para uma estrutura temporária, onde enfrentam uma série de dificuldades.

A mudança para a tenda gerou insatisfação entre comerciantes e clientes. Muitos reclamam do calor intenso, que compromete a qualidade dos produtos, da falta de espaço adequado nos boxes e da inexistência de estacionamento, fatores que têm contribuído para um aumento nas perdas financeiras. Salvador Albuquerque, um visitante frequente do Mercadão há 30 anos, expressa seu descontentamento: “A lona aqui é quente demais… as pessoas não podem vir comprar porque não têm onde estacionar”.

O Mercadão possui uma rica tradição na cidade, e muitos comerciantes têm laços familiares profundos com o local. Silvana Aparecida Barbosa, que vende pimentas há 25 anos e herdou sua banca de seus pais, observa uma queda significativa na clientela desde a relocação para a tenda. Ela destaca o calor e a falta de estacionamento como os principais problemas enfrentados no novo espaço.

Felipe Bandeira Peres, cuja família está ligada ao mercado há gerações, também relata os desafios da situação atual. Ele menciona que a nova configuração exigiu investimentos adicionais em equipamentos e mobiliário que não eram necessários anteriormente. Além disso, a redução no número de clientes tem sido alarmante: “A frequência caiu pelo menos 50% após a mudança”, afirma.

A reforma do Mercadão, que é um marco comercial na cidade há mais de um século, foi aprovada em novembro de 2022 com um orçamento estimado em R$ 6,1 milhões. O cronograma inicial previa a conclusão das obras em 12 meses; no entanto, uma série de atrasos já postergou essa previsão várias vezes. A expectativa atual da prefeitura é que as obras sejam finalizadas até o final de janeiro de 2025.

Os atrasos são atribuídos a múltiplos fatores, incluindo a complexidade da reforma em um edifício histórico datado de 1908. A prefeitura destaca que é necessário um cuidado especial na execução das obras devido ao estado desgastado do prédio. Além disso, questões relacionadas à drenagem do solo onde o Mercadão está situado também impactaram o andamento dos trabalhos.

Em uma atualização recente sobre o progresso das obras, a prefeitura informou que o mezanino está em fase de acabamento e que diversas instalações já foram concluídas. Entretanto, os permissionários ainda terão encargos adicionais para finalizar seus espaços após a entrega da reforma.

Por fim, representantes da prefeitura afirmam que o novo Mercadão oferecerá melhor infraestrutura tanto para os comerciantes quanto para os visitantes e visam atrair um maior fluxo de clientes após sua reabertura. Enquanto isso, o descontentamento entre os comerciantes continua crescente à medida que aguardam ansiosamente por melhorias reais na operação do tradicional mercado campineiro.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 23/12/2024
  • Fonte: Fever