Menopausa: 80% das brasileiras enfrentam desafios emocionais e tabus no trabalho
No Brasil, a média de idade para o início desse processo é de 48 anos, que se divide em duas fases: a perimenopausa, onde os sintomas começam a surgir, e a pós-menopausa
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 26/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: PMSA
As mulheres brasileiras enfrentam sérios desafios relacionados aos impactos da menopausa, conforme revelado pela pesquisa intitulada “Experiência e Atitudes na Menopausa”, conduzida pela farmacêutica Astellas em seis países. O estudo apontou que 80% das brasileiras relatam experiências de sentimentos negativos associados ao período, com destaque para a ansiedade (58%), depressão (26%), constrangimento (20%) e vergonha (16%). Esses dados evidenciam que as mulheres no Brasil sofrem mais intensamente com tais sintomas em comparação à média global.
A menopausa é definida como o término da vida reprodutiva feminina, ocorrendo após 12 meses sem menstruação. No Brasil, a média de idade para o início desse processo é de 48 anos, que se divide em duas fases: a perimenopausa, onde os sintomas começam a surgir, e a pós-menopausa.
Apesar de afetar uma parte significativa da população — dados do Censo 2022 indicam que 51,5% dos brasileiros são mulheres —, o tema ainda é cercado por tabus e preconceitos. Apenas 28% dos entrevistados acreditam que a menopausa é retratada de forma positiva na sociedade, percentual que cai para 24% entre aquelas que já vivenciaram essa fase. Globalmente, essa percepção diminui ainda mais, alcançando apenas 19% entre as mulheres com experiência pessoal.
Uma expressiva maioria (65%) dos brasileiros considera a menopausa um assunto tabu, sentindo desconforto ao abordá-lo. Ademais, 66% opinam que os sintomas associados à menopausa não são levados a sério; esse percentual sobe para 72% entre as mulheres que passaram pela experiência. O levantamento também aponta que existem mais de 50 sintomas relacionados ao período de peri e pós-menopausa, incluindo questões cognitivas, físicas, urogenitais e vasomotoras. Mais de 80% das mulheres experienciam sintomas vasomotores, os quais impactam significativamente a qualidade de vida e motivam a busca por tratamento.
Embora 30% dos entrevistados se sintam bem informados sobre os sintomas da menopausa, apenas 17% relatam ter pouco ou nenhum conhecimento. Entre as mulheres com experiência na menopausa, apenas 42% afirmam conhecer bem os sintomas. Esse índice cai ainda mais quando considerado o cenário global, onde somente 26% das mulheres relatam um bom conhecimento sobre o assunto.
A ginecologista Thaís Ushikusa, diretora de Assuntos Médicos da Astellas no Brasil, enfatiza a urgência do tema: “A menopausa é uma questão que não pode ser ignorada, mas ainda está envolvida em silêncio e mal-entendidos, sendo que o ônus imposto na saúde e qualidade de vida das mulheres é enorme”.
O impacto da menopausa vai além da saúde física e emocional; ele também se reflete no ambiente profissional. De acordo com os dados coletados, 47% das brasileiras experimentaram efeitos negativos em seus locais de trabalho devido à menopausa. Isso inclui uma redução na produtividade (26%), receio de compartilhar suas experiências com colegas (17%) e até discriminação explícita (9%). Apenas 29% das trabalhadoras se sentem confortáveis para discutir o assunto com seus superiores.
Os números refletem um estigma ainda maior nas empresas brasileiras em comparação às globais: enquanto apenas 36% das mulheres em todo o mundo relataram impactos negativos no trabalho devido à menopausa, no Brasil esse índice é significativamente maior. A médica Maria Celeste Osório Wender, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), observa: “Com quase metade das mulheres enfrentando impactos negativos no trabalho, fica claro que muitas funcionárias estão passando por essa fase da vida em silêncio. Os empregadores devem agir para aumentar a conscientização, fornecer recursos e promover um ambiente de compreensão e inclusão”.