Menino virou homem e o Projeto continua
Em 1988, Antônio Alexandre, o Toninho, era um menino que fugia da violência das ruas; foi acolhido e deu origem ao projeto Toninhos, que até hoje cuida de crianças em situação de rua
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 16/08/2023
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A vida não era fácil para o garoto Antônio Alexandre da Silva. Em 1988, ele perambulava sem destino pelas ruas de Diadema. Usava a mesma roupa (camiseta e bermuda) por dias seguidos. Andava descalço e não frequentava a escola porque se sentia envergonhado pela falta de vestimenta e de uma mochila para carregar os livros. “Meu caderno ia embrulhado em papel”, ele lembra.
Ao seu redor, a vizinhança era violenta e a criminalidade altíssima. Para escapar dessa situação limite, Toninho, como ele era conhecido, passava os dias na área verde, que circunda a Santa Casa de Diadema. “Eu já conhecia a Santa Casa, porque ficava na creche, quando era menor”, recorda.
Uma funcionária da Santa Casa, (ele só lembra do primeiro nome, Sandra) aproximou-se dele. Descobriu que o menino sobrevivia com dificuldades. Para ajudá-lo, conseguiu roupas, doadas. Começou a lhe servir diariamente café da manhã e, depois, divertia-o de forma educativa propondo desenhos e lições. À tarde, com as roupas recebidas, Toninho pôde retornar à escola.
Como havia muitos meninos ao redor da Santa Casa de Diadema, enfrentando as mesmas dificuldades do Toninho, os administradores da instituição decidiram criar um projeto que os atendesse no contra turno escolar. Foi assim que, em 1988, teve início o Projeto Toninhos, que até hoje cuida de crianças em situação de risco.
“A rua era um perigo constante”, conta Toninho. “De todos aqueles meus amigos de infância, acredito que sobreviveram uns dois ou três. Os demais morreram em confronto com a polícia, na prisão ou em rusgas de quadrilhas.”
Ele afirma que o apoio recebido, quando era criança, salvou sua vida: “Lembro que o pior dia da semana era sexta-feira, porque no sábado e domingo ficaria nas ruas, fugindo da violência”.
Hoje, Toninho tem 35 anos. Casou-se. Teve dois filhos. Virou metalúrgico e ainda vive em Diadema, no bairro Piraporinha. “Sou um sobrevivente. A minha vida daria um livro, um roteiro de filme”, ele diz.
O Projeto Toninhos atende atualmente 260 crianças e adolescentes no contra turno escolar. Desde sua criação, oficinas socioeducativas são disponibilizadas, tendo como alvo o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes de seis a 15 anos em situação de risco e vulnerabilidade social.
São ministradas atividades de esportes, recreação, dança, capoeira, teatro, jogos cooperativos, informática nível básico, futsal, artes /cidadania/vídeo.
Segundo o provedor da Santa Casa de Diadema, Ronaldo Buscarino, “o Projeto Toninhos busca garantir os direitos das crianças e adolescentes, seu desenvolvimento, a convivência comunitária e o fortalecimento dos vínculos familiares”.