Megaoperação investiga fraudes em descontos de benefícios do INSS

Presidente do INSS pede demissão após suspeita de irregularidades em acordos com associações

Crédito: Divulgação

Uma grande operação conjunta entre a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) foi deflagrada nesta quarta-feira (23) para investigar a prática de descontos indevidos em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Estima-se que cerca de R$ 6,3 bilhões foram descontados de forma irregular de aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024.

O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado do cargo por ordem judicial e, em seguida, pediu demissão após solicitação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outros membros da alta cúpula do instituto também foram afastados preventivamente por suspeita de omissão frente às irregularidades.

Entidades de fachada e fraudes em assinaturas

Uma auditoria realizada pela CGU apontou irregularidades em 29 entidades que mantinham acordos com o INSS. Essas organizações ofereciam supostos benefícios como convênios com academias, planos de saúde e auxílio funerário, mas sem a devida estrutura para prestar tais serviços. Além disso, 72% delas não apresentaram a documentação exigida ao INSS.

A investigação revelou que a maior parte dos aposentados não autorizou os descontos em seus benefícios. Em uma amostragem de 1.300 casos, 97% dos entrevistados relataram que nunca deram consentimento ou foram vítimas de fraudes, como a falsificação de assinaturas.

Ação nacional e prejuízo aos segurados

Com participação de cerca de 700 agentes da PF e 80 servidores da CGU, a operação resultou no cumprimento de 211 mandados judiciais, incluindo ordens de busca e apreensão, sequestro de bens avaliados em mais de R$ 1 bilhão e prisões temporárias. Itens como joias, carros de luxo e grandes quantias em dinheiro foram apreendidos.

Até o meio-dia, três pessoas haviam sido presas, enquanto outras três seguiam foragidas. A operação atingiu diversos estados, além do Distrito Federal, e incluiu a residência e o gabinete do presidente do INSS.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que se trata de um golpe direcionado a uma população especialmente vulnerável. Os investigados poderão responder por crimes como corrupção, falsificação de documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 23/04/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show