Médicos cubanos assumem consultas em Santo André

Os sete profissionais do programa do governo federal Mais Médicos se apresentaram nas unidades de Saúde nesta quinta-feira (7)

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Os sete estrangeiros do programa Mais Médicos, originários de Cuba, foram recebidos nesta quinta-feira (7) nas unidades de Saúde de Santo André onde trabalharão por, pelo menos, três anos. Com direito a café da manhã reforçado e apetitosa panqueca de carne gratinada por gentileza de algumas gerências, parte dos profissionais já começou no atendimento aos usuários inscritos na ESF (Estratégia Saúde da Família), programa do governo federal que reorganiza a atenção básica no País.

Foi o caso de Rafael Leyva Perdomo, 44 anos, na Unidade de Saúde do Jardim Santo André, localizada em área periférica do município e que tem na topografia irregular sua marca registrada. Com a falta de uma médica nesta manhã, o cubano, com o tradicional avental branco e o estetoscópio no pescoço, não se intimidou e assumiu o comando dos pacientes agendados para consulta de rotina. O equipamento público municipal tem hoje 4.132 famílias cadastradas, que representam universo de 17 mil pessoas, entre crianças, adultos e idosos.

Entre elas, estava a simpática dona de casa Eunice de Lima Pereira, 74 anos de vida e 15 de Jardim Santo André, que aguardava, ao lado de outras três mulheres, para passar pelo profissional. Indagada se sabia que um médico estrangeiro a atenderia na sequência, respondeu que não. Mas emendou. “Antes tinha o doutor Lazaro (Modesto Rogas) aqui”, referindo-se a outro médico cubano que trabalhou na unidade de junho de 2010 a maio deste ano. 

Ao lado de Rafael Leyva, a médica cubana Zelandia Gandoy Ferandez, 52 anos, também atenderá na mesma unidade. Ao contrário do colega, a profissional conheceu as integrantes das quatro equipes de ESF, que reúnem em torno de 24 agentes comunitários. Entre elas, Marlene Gutierrez Rodrigues, brasileira, mas filha de pai paraguaio. Com a experiência de ter morado vários anos no país da América do Sul, a agente serviu de intérprete para Zelandia em alguns momentos.

Porém, a médica cubana mostrou-se praticamente adaptada à língua portuguesa. Sincera, contou que a comunicação era sua principal preocupação quando estava em estudos em Vitória, capital do Espírito Santo. “Eu vim aqui para ajudar, mas estava muito preocupada”, contou a generalista formada pela Universidad de Pinar del Rio, em 1984, e que trabalhou na Venezuela e no Paraguai. Mas o receio cessou. Ela percebeu que consegue entender e se fazer ser compreendida.

Zelandia fez uma visita domiciliar na Avenida 1, no bloco 56, acompanhada de profissionais da unidade. Pelo caminho, de carro, encontrou várias vacas no pasto, cenário atípico para uma região metropolitana. Na hora do almoço, pela primeira vez, comeria panqueca de carne, especialmente preparada para os dois novos médicos.

No total, são sete cubanos em solo andreense desde a última quinta-feira (31), sendo duas mulheres e cinco homens. Em Santo André, foram designados para trabalhar em seis unidades de Saúde: Jardim Santo André, Jardim Irene I, Jardim Ana Maria, Recreio da Borda do Campo, Utinga e Dr. Moysés Fucs. Cada profissional teve uma rotina diferente nos equipamentos.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 07/11/2013
  • Fonte: FERVER