Mauro Chekin pede exoneração em São Caetano após inquérito do MP-SP

Investigado pelo MP-SP por comentários discriminatórios contra pessoas com deficiência, o secretário renunciou ao cargo na sexta-feira.

Crédito: Divulgação/ALESP

O ex-secretário de Esporte, Lazer e Juventude de São Caetano, Mauro Chekin, pediu exoneração do cargo nesta sexta-feira (8). A saída do primeiro escalão da Prefeitura ocorreu nove dias após o então titular da pasta proferir declarações de cunho capacitista durante uma audiência pública na Câmara Municipal.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para apurar a conduta do ex-gestor. O episódio central da crise aconteceu no dia 29 de abril, quando ele classificou crianças com deficiência como portadoras de “problema e tratou as políticas de inclusão social como um risco ao seu dever funcional.

Investigação contra Mauro Chekin continua no Ministério Público

Mauro Roberto Chekin
Reprodução/YouTube

A renúncia não encerra as apurações judiciais sobre o caso. A promotoria vai investigar Mauro Chekin por eventual prática de discriminação, capacitismo institucional e omissão na execução de políticas públicas inclusivas. O órgão iniciou o trabalho a partir de representações de parlamentares e vídeos do evento que circularam na internet.

“Peço exoneração do cargo, reconhecendo o erro de abordagem do tema inclusão no esporte, pedindo sinceras desculpas pelo ocorrido”, declarou o ex-secretário em nota oficial. O profissional de educação física alegou não ter condição psicológica para o trabalho e prometeu buscar aperfeiçoamento relacionado à área.

Reações e repúdio de entidades esportivas

As falas geraram uma onda imediata de críticas de diversas frentes políticas e institucionais. O Comitê Paralímpico Brasileiro emitiu nota repudiando o vocabulário utilizado na audiência pública. “A fala é discriminatória e inadmissível, a inclusão é um direito e um compromisso constitucional e civilizatório”, pontuou a entidade máxima do desporto paralímpico no país.

O Ministério do Esporte classificou as declarações como incompatíveis com os princípios de dignidade e respeito. O órgão federal reforçou que o poder público tem o dever absoluto de garantir acesso, acolhimento e participação plena de todas as pessoas na vida social.

Posicionamento da prefeitura e de parlamentares

As legisladoras que acompanham a pauta dos direitos das pessoas com deficiência cobraram punições severas para as atitudes de Mauro Chekin. “São capacitistas, afrontam a legislação brasileira que trata de inclusão e precisam de responsabilização”, ressaltou a deputada estadual Andréa Werner (PSB). A vereadora local Bruna Biondi (Psol) destacou a inaptidão do gestor para lidar com o esporte inclusivo.

A Prefeitura de São Caetano informou que ainda não definiu um substituto para assumir a pasta. O Executivo municipal declarou compromisso contínuo com as políticas de acessibilidade e destacou investimentos recentes na área, defendendo a atuação da gestão.

O governo local citou a recente inauguração do Complexo Unificado de Inclusão, Desenvolvimento, Apoio e Reabilitação (Cuidar) como prova de suas ações sociais. O andamento do inquérito conduzido pelo MP-SP definirá os próximos desdobramentos legais e as possíveis sanções judiciais para o ex-secretário Mauro Chekin.

  • Publicado: 09/05/2026 08:29
  • Alterado: 09/05/2026 08:29
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: MP-SP