Mauricio de Sousa completa 90 anos
A trajetória de Mauricio de Sousa, gênio dos quadrinhos brasileiros que agora ganha vida em cinebiografia emocionante
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 27/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Um dos mais influentes quadrinistas do Brasil, Mauricio de Sousa, tem uma história de vida que poderia muito bem ser adaptada para o cinema.
Desde a infância, Mauricio de Sousa foi imerso em um ambiente criativo. Seu pai, embora barbeiro, era poeta e pintor por paixão, enquanto sua mãe também se destacava como poetisa. Nascido em Santa Isabel, no interior paulista, o pequeno Mauricio cresceu rodeado por arte e literatura.
Mauricio de Sousa: A trajetória de um ícone dos quadrinhos brasileiros
Ao longo de sua carreira, ele criou mais de 400 personagens que não apenas refletem a literatura infantojuvenil brasileira, mas também narram aspectos de sua própria vida. Entre suas criações estão desde o garoto da roça até o cientista e o travesso que troca “R” por “L”, além da famosa baixinha dentuça que lidera a Turma da Mônica.
A jornada de Mauricio de Sousa começou nas tirinhas, ganhou destaque nos gibis e se adaptou às novas mídias, incluindo jogos eletrônicos e cinema. O filme “Turma da Mônica: Laços”, lançado em 2019, trouxe esses personagens para a tela grande. E neste 27 de outubro, quando Mauricio completa 90 anos, sua vida é celebrada na cinebiografia “Mauricio de Sousa – O Filme”, que estreou no dia 23 do mesmo mês.
O longa-metragem não é apenas uma homenagem ao artista, mas também um marco na carreira de Mauro Sousa, que interpreta seu próprio pai no filme. Em entrevista ao portal Aventuras, Mauro compartilhou: “Sou formado em artes cênicas e minha experiência tem sido majoritariamente no teatro musical. Essa é minha estreia no cinema e não poderia ser melhor”.
A experiência de interpretar Mauricio foi desafiadora para Mauro, tanto pela responsabilidade do papel quanto por ser sua primeira vez em um set de filmagens ao lado de renomados atores como Elizabeth Savalla e Othon Bastos. Ele ressaltou que sua familiaridade com o personagem facilitou sua atuação: “Quando você tem domínio sobre o assunto, se sente muito mais à vontade”.
O filme foi dirigido por Pedro Vasconcelos e conta com a presença ativa de Mauricio durante todo o processo criativo, incluindo o roteiro e as gravações. Mauro revelou: “Eu consultava meu pai diariamente sobre as cenas; tive a melhor pesquisa em casa”.
Uma infância sonhadora
Por trás do talento artístico, Mauricio Araújo de Sousa era uma criança tímida. Apesar dessa característica comum entre os pequenos, ela contrastava com a história arrojada de seus antepassados. Em sua biografia “Mauricio – A História Que Não Está no Gibi”, ele narra como sua família era composta por pessoas de ação e coragem.
Seus avós maternos foram latifundiários na Paraíba e enfrentaram grandes desafios políticos que culminaram em uma fuga forçada para São Paulo. Em 27 de outubro de 1935, nasceu Mauricio em Santa Isabel. Desde cedo, ele encontrou nos gibis uma forma de aprender a ler e se apaixonou pelas histórias em quadrinhos.
Aos cinco anos, descobriu uma edição da revista O Guri no lixo e pediu à mãe que lhe contasse a história. Com isso, começou sua jornada literária. Com o passar dos anos, ele começou a desenhar pôsteres e cartazes enquanto sonhava em viver como desenhista profissional. Seu pai aconselhou-o: “Mauricio, desenhe pela manhã e administre à tarde”.
Os primeiros passos na carreira

Aos 19 anos, já vivendo em São Paulo após o divórcio dos pais, Mauricio decidiu buscar emprego como ilustrador. Apresentou seus trabalhos em jornais locais mas recebeu desestimulo inicial ao ser aconselhado a desistir da carreira artística. Porém, essa negativa serviu como combustível para perseverar em seu sonho.
Em 1959, suas tirinhas começaram a ser publicadas pela Folha da Tarde, onde apresentou personagens como Bidu e Franjinha. O sucesso foi imediato; as crianças começaram a interagir enviando cartas para a redação do jornal.
Com o nascimento de sua primeira filha e uma rotina exaustiva entre trabalho como repórter e desenhista noturno, Mauricio decidiu deixar seu emprego para seguir seu sonho artisticamente. A situação financeira era difícil; os ganhos com os quadrinhos eram modestos comparados ao salário que recebia como repórter.
A criação da Turma
No início dos anos 60, com uma nova fase profissional se aproximando e outra filha prestes a nascer, Mauricio buscou oportunidades no Rio de Janeiro para lançar suas histórias em quadrinhos. Apesar das dificuldades iniciais e recusas por parte das editoras, ele perseverou até encontrar espaço na Editora Continental.
Foi lá que surgiu o personagem Cebolinha em suas tirinhas publicadas na revista Zaz Traz. No entanto, as vendas não foram suficientes para manter a revista por muito tempo. A busca por novos mercados levou Mauricio a criar estratégias inovadoras para distribuir suas tirinhas pelo interior do Brasil.
Em 1963, ele foi reintegrado à Folha de S.Paulo onde teve a oportunidade de desenvolver mais personagens femininos após uma crítica recebida sobre suas tirinhas não terem protagonistas mulheres. Assim nasceu Mônica – inspirada em sua filha – que rapidamente conquistou espaço nas histórias infantojuvenis brasileiras.
Hoje, as obras de Mauricio de Sousa são reconhecidas mundialmente por seu impacto cultural e educativo nas vidas de milhares de crianças e adultos no Brasil e além.