Mauá recebe Plano Municipal de Redução de Riscos da UFABC

O Plano Municipal de Redução de Riscos é uma prioridade estratégica para a cidade. O documento mapeia 123 áreas críticas de vulnerabilidade, propondo ações para prevenção de desastres.

Crédito: Diego Barros

A Prefeitura de Mauá deu um passo decisivo em sua política de prevenção de desastres na manhã desta terça-feira, 21 de outubro de 2025, ao receber o estudo atualizado do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR). O documento, fruto de um robusto trabalho de 18 meses, foi entregue ao prefeito Marcelo Oliveira por uma equipe de 15 pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC), liderada pelo coordenador do Laboratório de Gestão de Riscos (LabGris), Christian Ricardo Ribeiro, e pela engenheira e mestranda Talita Gonsales. O coordenador do Laboratório de Justiça Territorial (LabJus), Francisco de Assis Comaru, também integrou a iniciativa.

Ao receber o material, o prefeito Marcelo Oliveira reforçou que a meta é ir além da resposta emergencial. “O nosso objetivo é focar nas respostas às indicações que o Plano apresenta e buscar a mitigação dos riscos como uma prioridade. Queremos de fato evitar os riscos e prevenir qualquer tipo de ocorrência”, afirmou o gestor municipal. Ele destacou ainda o investimento em equipamentos para qualificar o atendimento imediato da Defesa Civil e a atuação conjunta de diversos setores da administração municipal para utilizar o estudo como base de apoio.

Risco Social e Geológico: A radiografia do Plano Municipal de Redução de Riscos

Plano Municipal de Redução de Riscos
Diego Barros

O projeto de reformulação do PMRR é parte de um convênio de grande alcance nacional, envolvendo a Prefeitura de Mauá, a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Mauá foi uma das 20 cidades do país engajadas neste trabalho, que contribuiu inclusive para a elaboração de um manual de orientação para outros planos municipais. Para o coordenador Christian Ribeiro, a importância do PMRR reside em seu papel como instrumento de planejamento e responsabilidade municipal, sendo indispensável o envolvimento dos governos estadual e federal para que o diagnóstico se concretize em ação.

Um dos achados mais relevantes do estudo é a convergência de dados: os aspectos de vulnerabilidade social apontados pelo Censo 2022 do IBGE se sobrepõem ao mapeamento das áreas de risco geológico-hídrico. Essa identificação foi primeiramente realizada por imagens de drone e depois aprofundada pelos pesquisadores.

“O processo de expansão urbana foi acelerado e desordenado, porque o risco é construído pelas escolhas da sociedade”, disse Christian.

Essa leitura de dados socioeconômicos e geográficos permite potencializar as políticas públicas já desenvolvidas pela Prefeitura, direcionando-as com maior precisão aos locais que mais necessitam. A recomendação clara dos pesquisadores é o cruzamento contínuo dos dados das secretarias municipais com os apresentados nas 1.200 páginas do Plano Municipal de Redução de Riscos.

O detalhamento das 123 áreas críticas e o orçamento de R$ 206 Milhões

Diego Barros

O levantamento detalhado do Plano Municipal de Redução de Riscos abrangeu uma visita a 5.468 moradias, concentradas principalmente nos bairros Jardim Zaíra, Rosina, Feital e Oratório.

O mapeamento resultou na identificação de:

  • 11 em Risco de Cabeceira (R1, perto de curso de água);
  • 81 setores em Risco Médio (R2);
  • 82 em Risco Alto (R3);
  • 41 em Risco Muito Alto (R4).

É importante frisar que o documento não apenas diagnostica, mas também apresenta um pacote de intervenções necessárias para os setores de Risco Alto (R3) e Risco Muito Alto (R4), com um orçamento estimado em R$ 206 milhões. Sobre este montante, a Prefeitura de Mauá já dispõe de investimentos federais que ultrapassam R$ 160 milhões, provenientes de programas como o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Ministério das Cidades, que serão direcionados para obras de prevenção e infraestrutura nessas áreas.

A elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos seguiu uma metodologia participativa, que incluiu a criação do Comitê GEStor do Plano, a realização de reuniões territoriais e uma constante interlocução com comunidades, lideranças comunitárias e movimentos sociais, garantindo que o planejamento atenda às necessidades reais do município. Envolver vários setores, como Planejamento Urbano, Obras, Habitação, Assistência Social, Saúde, Educação e Segurança Pública, demonstra o foco intersetorial e a seriedade do compromisso em evitar tragédias futuras.

Diego Barros
  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 22/10/2025
  • Fonte: Secult PMSCS