Matrículas em escolas privadas atingem recorde histórico em 2024

Crescimento contínuo no setor privado pós-pandemia

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O Censo Escolar de 2024, divulgado nesta quarta-feira (9) pelo Ministério da Educação (MEC), aponta que as escolas particulares seguem em trajetória de expansão no Brasil. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o número de estudantes na rede privada alcançou 9,5 milhões — o maior volume registrado desde 2007, início da série histórica.

O total representa 20% das matrículas da educação básica no país, que inclui desde a creche até o ensino médio. Apesar de a maioria dos estudantes ainda estar na rede pública, o avanço das instituições privadas se destaca num contexto de queda geral no número de alunos no sistema educacional.

Efeitos da demografia e da pandemia

Enquanto a rede privada acumula 460 mil novos alunos na última década, a rede pública perdeu 2,1 milhões de estudantes no mesmo período. Especialistas apontam que a redução geral nas matrículas está ligada à queda na taxa de natalidade e ao envelhecimento populacional, além de melhorias no fluxo escolar, especialmente no ensino fundamental.

Após o impacto da pandemia de Covid-19, quando as escolas privadas perderam 11% das matrículas entre 2019 e 2021, o setor se recuperou rapidamente. Já em 2022, o número de alunos voltou ao patamar anterior, com crescimento de 11%. Em 2023, o avanço foi de 4,7%, e em 2024, de 1%. Desde o pior momento da pandemia, houve um crescimento acumulado de 17%, o que equivale a 1,3 milhão de alunos a mais.

Censo revela avanços e desafios da educação básica

Segundo o levantamento, o Brasil contava com 47 milhões de estudantes na educação básica em 2024 — uma leve queda de 0,46% em relação a 2023. O maior número de matrículas está concentrado no ensino fundamental, com 26 milhões de alunos, sendo mais de 21 milhões na rede pública. A educação infantil apresentou pequeno crescimento, enquanto a pré-escola registrou leve retração.

A divulgação do Censo ocorre em meio a questionamentos sobre a transparência do MEC. O Inep chegou a reter dados de alfabetização do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), revelando números inferiores aos divulgados anteriormente pelo governo: enquanto um índice estadual apontava 56% de crianças alfabetizadas no 2º ano em 2023, o Saeb indicava apenas 49%.

Outro destaque foi o aumento da autodeclaração de alunos pretos ou pardos, que passou de 19,3 milhões em 2023 para 21,6 milhões em 2024. Já o número de estudantes que não quiseram informar sua cor caiu para 8,9 milhões.

No ensino médio, houve leve alta nas matrículas da rede pública, que somaram 6,7 milhões. A proporção de estudantes com idade adequada (até 17 anos) também subiu, passando de 82% em 2019 para 87% em 2024. O programa Pé-de-Meia, que oferece bolsas para alunos de baixa renda, é uma das apostas do governo federal para aumentar o sucesso escolar nessa etapa.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 09/04/2025
  • Fonte: Teatro Liberdade