Masp apresenta videoinstalação de isaac julien sobre lina bo bardi

Isaac Julien constrói uma instalação audiovisual imersiva sobre o legado da arquiteta ítalo-brasileira, com interpretação de Fernanda Torres e Fernanda Montenegro

Crédito: Henrik Kam. ©Isaac Julien. Cortesia do artista e de Victoria Miro, Londres

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) apresenta, de 28 de março a 3 de agosto de 2025, a exposição Cinco ensaios sobre o MASP. Inédita no Brasil, a videoinstalação sobre o legado de Lina Bo Bardi (1914–1992) ocupa o segundo andar do Edifício Pietro Maria Bardi.

Na obra, as atrizes Fernanda Torres e Fernanda Montenegro interpretam os escritos de Lina, dando voz às suas ideias sobre o potencial social e cultural da arte e da arquitetura, especialmente a partir de sua experiência com a cultura afro-brasileira na Bahia.

A videoinstalação e sua construção narrativa

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e assistência de Matheus de Andrade, assistente curatorial, MASP, a videoinstalação é composta por nove projeções simultâneas que constroem uma narrativa não linear a partir da sobreposição de imagens de arquivo, registros arquitetônicos e performances encenadas.

Desde os anos 1980, Julien dirige e produz obras que refletem sobre a exibição e o significado da cultura material não europeia em museus de arte ocidentais, unificando dança, fotografia, música, teatro, pintura e escultura.

Seu trabalho revisita figuras históricas, oferecendo novas perspectivas e subvertendo narrativas dominantes. Inspirado na visão de Bo Bardi sobre o tempo, o título da obra apresentada deriva de uma de suas reflexões: “Mas o tempo linear é uma invenção do Ocidente, o tempo não é linear, é um maravilhoso emaranhado onde, a qualquer instante, podem ser escolhidos pontos e inventadas soluções, sem começo nem fim”.

Filmado em 2018 em espaços icônicos projetados por Bo Bardi em São Paulo, o filme conta com a participação do Balé Folclórico da Bahia, do coletivo ÀRÀKÁ, de Salvador, e do ator, diretor e dramaturgo José Celso Martinez Corrêa (1937–2023), cofundador do Teatro Oficina de São Paulo, que trabalhou em colaboração estreita com Lina.

O conceito de museu aberto e a experiência imersiva

As projeções são dispostas em telas com diferentes suportes. Algumas são fixadas à parede, enquanto outras apoiam-se em cubos de concreto, uma referência aos cavaletes de cristal idealizados pela arquiteta para o MASP.

A estrutura simboliza a ideia de um museu aberto e transparente, que possibilita um encontro mais próximo do público com as obras de arte. Já a trilha sonora original, composta por Maria de Alvear, reforça o caráter imersivo e sensorial da instalação.

Para Lina Bo Bardi, o museu não deve ser um lugar empoeirado onde se guardam resquícios da história. Os objetos expostos só têm sentido quando estão próximos do público, sem hierarquias, e relacionados à contemporaneidade. Refletindo sobre estes ideais, Isaac Julien consegue transmitir a atualidade das ideias de Bo Bardi, cuja dimensão coletiva se traduz nos espaços que ainda hoje promovem a interação diversa entre arte, arquitetura e sociedade”, comenta Matheus de Andrade.

Um maravilhoso emaranhado foi exibida pela primeira vez na Victoria Miro Gallery, em Londres, em 2019. Agora chega ao Brasil integrando o conjunto de Cinco ensaios sobre o MASP, exposições que inauguram o Edifício Pietro Maria Bardi e ocupam cinco de seus andares, refletindo sobre a história e o acervo do museu.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 17/03/2025
  • Fonte: Teatro Liberdade