Marina Silva detalha avanços do Brasil na histórica COP30
Em entrevista pós-Conferência, Marina Silva elenca as agendas de desmatamento, combustíveis fósseis e justiça climática lideradas pelo país em Belém
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 28/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, fez um balanço detalhado da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada recentemente em Belém (PA), durante participação no programa “Bom Dia, Ministra” da última sexta-feira (28). Em uma entrevista concedida a rádios e portais de notícias, a ministra destacou o protagonismo do Brasil no cenário global e a histórica mobilização social que marcou o encontro na Amazônia.
O Brasil se firmou como um líder na articulação global, focando em quatro agendas estratégicas: superar a dependência de combustíveis fósseis, zerar o desmatamento, promover a justiça climática e atrair investimentos verdes. Segundo a titular da pasta, o país demonstrou que é possível conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação de suas bases naturais.
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Desmatamento e Agronegócio: O Paradoxo do Desenvolvimento Sustentável
Marina Silva utilizou dados recentes para rebater o argumento de que a conservação ambiental inibe o crescimento econômico. “É perfeitamente possível você ter desenvolvimento econômico sem precisar destruir as bases naturais do seu próprio desenvolvimento. O maior exemplo disso é o Brasil”, pontuou a ministra.
Para reforçar sua tese, a ministra Marina Silva citou o sucesso no combate à devastação da Amazônia. “O desmatamento na Amazônia está caindo 50% nesses três anos de governo do presidente Lula e o agronegócio cresceu 17%”, afirmou, atribuindo os dados à gestão atual. O índice de queda na devastação da floresta é um dos pilares da diplomacia brasileira para demonstrar a seriedade do compromisso com o clima. A ministra também reforçou que o combate ao garimpo ilegal e a demarcação de terras indígenas são medidas cruciais e legítimas de justiça e de reparação social, vitais para a proteção constitucional dos povos e territórios.
O mapa do caminho para sair dos fósseis
A Conferência em Belém, segundo Marina Silva, foi histórica por ter conseguido colocar a pauta da transição justa e planejada para a superação da dependência de combustíveis fósseis no centro do debate mundial, algo inédito em 30 anos de COPs.
O Brasil propôs o “Mapa do Caminho”, uma medida ambiciosa para indicar uma trilha global de redução e reversão do desmatamento. Embora o conceito não tenha entrado na declaração oficial do evento, a ideia obteve uma ampla sedimentação no cenário internacional, conquistando a adesão de mais de 80 nações. A ministra destacou que o Brasil tem uma vantagem comparativa robusta, com 45% de sua matriz energética já limpa, e está pronto para liderar essa mudança.
“O Mapa do Caminho para sair da dependência de combustível fóssil no Brasil, a maior parte dele já está desenhado. Nós podemos fazer internamente o nosso próprio Mapa do Caminho”, declarou Marina Silva, acrescentando que o país se preparou para ser “o endereço dos investimentos verdes” no mundo.
A COP30 da Sociedade: Uma Mobilização Sem Precedentes
Um dos aspectos mais celebrados pela ministra Marina Silva foi a participação social inédita que deu um tom democrático e representativo à COP30, especialmente após conferências com regimes políticos mais restritivos.
- Poder da Sociedade Civil: A ministra registrou que mais de 300 mil pessoas passaram pela Zona Verde (espaço de exposições), e que a participação na Zona Azul (área de negociações oficiais) foi “incrível”. Somente a representação indígena somou mais de 300 credenciados.
- Avanço na Justiça Climática: A conferência ampliou a relevância das agendas sociais. Pela primeira vez, grupos tradicionalmente vulneráveis — povos indígenas, população afrodescendente e mulheres — foram reconhecidos como grandes contribuidores no processo de enfrentamento da mudança do clima. A ministra enfatizou que é fundamental que as mulheres, as mais afetadas, tenham acesso a financiamento nos novos investimentos.
Além disso, a COP30 consolidou o Pacote de Belém, um conjunto de 29 documentos consensuais que envolvem tecnologia, gênero e financiamento da adaptação. O encontro também estabeleceu um conjunto abrangente de 59 indicadores voluntários para monitorar o progresso na Meta Global de Adaptação.
Fundo Florestas Tropicais para sempre: A Nova Economia Verde
Entre as iniciativas estruturantes, Marina Silva ressaltou o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Esse mecanismo cria um novo modelo de financiamento climático: países que comprovadamente preservam suas florestas tropicais serão recompensados por meio de um fundo de investimento global. Na prática, a proposta do Brasil visa criar uma economia nova e sustentável baseada puramente na conservação ambiental, alinhando-se à busca por investimentos verdes citada pela ministra.