Maria Gorda: A Árvore Baobá que Une Tradição, Vandalismo e História na Ilha de Paquetá
Na Ilha de Paquetá, o baobá Maria Gorda é adorado com beijos diários. Descubra a lenda e a luta pela preservação dessa árvore histórica!
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 11/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Na tranquila Praia dos Tamoios, localizada na Ilha de Paquetá, uma tradição peculiar se destaca: os habitantes locais costumam demonstrar carinho pela árvore baobá conhecida como Maria Gorda, oferecendo-lhe beijos diários. Essa prática é sustentada por uma lenda que adverte sobre a sorte e os infortúnios associados ao respeito ou à maldade direcionada à árvore: “sorte por longo prazo a quem me beija e respeita, mas sete anos de atraso a cada maldade a mim feita”.
Entretanto, as marcas de vandalismo visíveis em seu tronco revelam a desconfiança de alguns em relação a essa narrativa. Renato Fernandes, um morador de 64 anos da ilha, observa que, felizmente, não há registros recentes de danos à árvore. Além disso, este ano, Maria Gorda conseguiu gerar três mudas que foram plantadas em outros pontos da região.
A importância histórica da Maria Gorda é reconhecida desde 1967, quando se tornou a primeira árvore tombada no Rio de Janeiro, juntamente com outras nove. Atualmente, segundo informações da Fundação Parques e Jardins, existem aproximadamente 50 árvores protegidas ou imunes ao corte no município, todas disponíveis para consulta em um mapa interativo disponibilizado pela prefeitura.
A origem do baobá na ilha permanece um mistério. O exemplar africano é reverenciado em religiões afro-brasileiras como o candomblé. Moradores mais antigos costumam narrar que a árvore surgiu no mesmo dia da morte de uma mulher escravizada chamada Maria Apolinária. Segundo a lenda, ela resistiu à escravidão e prometeu deixar uma marca da cultura africana na ilha após sua morte.
O Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) explica que o tombamento de árvores era uma medida adotada em um período anterior à criação de órgãos específicos voltados à proteção ambiental. Desde o ano 2000, o termo “imunidade ao corte” é utilizado para referir-se a essa forma de preservação.
Embora as árvores tombadas sejam frequentemente identificadas com placas informativas, esse não é o caso das que possuem imunidade ao corte. Um exemplo disso é um trio de baobás situado em frente ao Complexo de Israel, na zona norte do Rio de Janeiro; essas árvores robustas permanecem desconhecidas por muitos devido à falta de sinalização.
A primeira árvore oficialmente tombada na cidade foi uma figueira localizada na Rua Faro, no Jardim Botânico, protegida por uma portaria do extinto Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) em 1980. Naquela ocasião, moradores se mobilizaram para impedir sua derrubada prevista para a construção de um prédio. Essa figueira é originária do Oriente Médio e sobreviveu como um testemunho vivo de um plantio realizado no século XVII.
A primeira árvore a receber o status de imune ao corte pela prefeitura foi um pau-ferro situado na Rua Marquês de Olinda, em Botafogo. Plantada em 1867 para celebrar o nascimento das netas do Comendador Antônio Joaquim Soares Ribeiro, essa árvore também carrega sua própria história.
Outro exemplo notável é um pau-ferro que se ergue no jardim do Observatório Nacional, considerado o mais antigo do hemisfério sul desde sua inauguração em 1780 e também abriga edifícios tombados.
No bairro da Penha, destaca-se um conjunto de palmeiras-imperiais na Rua Patagônia. Embora essas árvores sejam imunes ao corte, elas não estão livres do vandalismo: seus troncos frequentemente servem como suporte para sinais pintados e pichações associadas ao Comando Vermelho, uma facção criminosa atuante nos complexos do Alemão e Penha.
A Fundação Parques e Jardins divulgou que está realizando um levantamento do estado fitossanitário e estrutural das árvores protegidas e imunes ao corte na cidade. Em nota oficial, a fundação informou que a manutenção das árvores situadas em áreas públicas é realizada pela Comlurb. Quando necessária intervenção, a companhia compartilha informações técnicas com a FPJ para determinar as melhores ações a serem tomadas.
Para aqueles interessados em contribuir com os cuidados das árvores da cidade, a Fundação Parques e Jardins disponibiliza um formulário online através do site Adote.Rio.