María Corina Machado conquista o Nobel da Paz 2025
O prêmio reconhece a trajetória de María Corina Machado na defesa da democracia e dos direitos humanos na Venezuela
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 10/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O Comitê Norueguês do Nobel revelou nesta sexta-feira (10) que a ativista política venezuelana María Corina Machado foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz de 2025, em reconhecimento à sua luta pela democracia na Venezuela. O prêmio foi concedido em virtude de sua “dedicação incansável à promoção dos direitos democráticos e seus esforços por uma transição pacífica do regime ditatorial para um governo democrático”.
Completando 58 anos na última terça-feira (7), María Corina Machado expressou que essa honraria representa um incentivo à luta pela liberdade em seu país. Ela dedicou a premiação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem manifestado apoio à sua causa. Em uma postagem na rede social X, afirmou: “Estamos à beira da vitória e contamos com o presidente Trump, o povo dos EUA e as nações democráticas do mundo como nossos aliados essenciais na busca pela liberdade e democracia. Este prêmio é para o povo sofredor da Venezuela e para o presidente Trump por seu apoio decisivo!”.
A menção ao presidente americano se dá em um momento em que os EUA realizam manobras militares nas proximidades da Venezuela, apresentadas como medidas contra o tráfico de drogas, uma ação apoiada por María Corina Machado e interpretada como uma estratégia para aumentar a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro.
Em uma carta divulgada posteriormente, a líder opositora declarou que recebe o prêmio em nome do povo venezuelano, que, segundo ela, tem lutado por sua liberdade com coragem e dignidade durante “26 anos de violência e humilhação” sob o regime pós-Hugo Chávez.
Embora ainda não esteja confirmada sua presença na cerimônia de entrega do prêmio, marcada para o dia 10 de dezembro em Oslo, a premiação consiste em uma medalha de ouro, um diploma e um valor monetário de US$ 1,2 milhão. Desde o final do ano passado, María Corina Machado vive clandestinamente na Venezuela.
A notícia da premiação foi recebida por María Corina durante uma ligação gravada pelo Comitê Norueguês do Nobel. O secretário Kristian Berg Harpviken fez contato com ela momentos antes do anúncio oficial, resultando em uma emocionante conversa. Emocionada, ela agradeceu e destacou que essa conquista pertence a toda a sociedade venezuelana.

Em contraste, no mesmo dia, quem assistiu à televisão estatal da Venezuela poderia ver Nicolás Maduro discutindo iniciativas contra a crise climática, enquanto críticas ao imperialismo norte-americano eram proferidas sem qualquer menção ao marco histórico da conquista do Nobel pela primeira vez por um venezuelano.
Desde o início do regime atual, mais de 400 veículos de comunicação foram fechados, conforme dados recentes do Colégio Nacional de Jornalistas da Venezuela. A Sociedade Interamericana de Imprensa também alertou sobre um “apagão informativo quase total” no país.
Nos últimos anos, o governo venezuelano intensificou ações repressivas contra instituições estatais e organizações civis. Somente após as eleições do ano passado, mais de 2.200 pessoas foram detidas durante protestos contra o regime. O próprio governo reconheceu a morte de 25 pessoas durante essas manifestações.
O Comitê Norueguês do Nobel descreveu María Corina Machado como uma “figura central e unificadora” dentro de uma oposição política historicamente fragmentada. O presidente do comitê, Jorgen Watne Frydnes, elogiou os esforços inovadores e pacíficos realizados pela oposição nas eleições de 2024, quando tentaram contestar as fraudes eleitorais perpetradas pelo regime.
Ainda assim, apesar das evidências coletadas que demonstravam a vitória da oposição nas eleições passadas, Nicolás Maduro anunciou sua reeleição algumas horas após o fechamento das urnas. A medida ocorreu sem a apresentação das provas necessárias para validar tal afirmação.
Leia mais: María Corina descarta fazer novas eleições ou dividir poder com chavismo na Venezuela
A concessão deste prêmio também serve como um alerta para a crescente tendência autoritária globalmente observada nos últimos anos. O comitê enfatizou que os padrões democráticos estão se deteriorando em várias regiões do mundo e que isso contribui para um ambiente global menos seguro.
Enquanto isso, a reação à premiação por parte da Casa Branca foi cautelosa. O porta-voz Steven Cheung comentou que o comitê priorizou interesses políticos acima dos princípios da paz ao conceder a honra a María Corina Machado.
Ao todo, foram 338 indicações ao prêmio deste ano, incluindo 244 indivíduos e 94 organizações. A lista completa dos indicados permanecerá em sigilo por 50 anos.
Relembre os dez vencedores anteriores do Nobel da Paz
2024: Nihon Hidankyo,
2023: Narges Mohammadi
2022: Ales Bialiatski~
2021: Maria Ressa (filipina) e Dmitri Muratov (russo)
2020: Programa Mundial de Alimentos (PMA)
2019: Abiy Ahmed Ali
2018: Denis Mukwege e a iraquiana Nadia Murad
2017: Campanha Internacional para Abolir Armas Nucleares (Ican)
2016: Juan Manuel Santos
2015: Quarteto para o Diálogo Nacional da Tunísia