Marcos Fontes propõe Censo Qualificado de Pessoas com TEA em SCS

Projeto de lei do vereador Marcos Fontes busca criar base de dados sobre TEA para otimizar políticas públicas de inclusão no município.

Crédito: Divulgação

O mapeamento detalhado sobre o TEA (Transtorno do Espectro Autista) é a base do novo projeto de lei protocolado pelo vereador Marcos Fontes (PP) em São Caetano do Sul. A iniciativa visa instituir o Censo Qualificado, estabelecendo, pela primeira vez, uma base de dados oficial e detalhada sobre esse segmento da população sul-sancaetanense. A proposta surge como uma ferramenta fundamental para o planejamento e a avaliação de ações governamentais direcionadas, garantindo que os investimentos cheguem a quem mais precisa.

A iniciativa é uma resposta direta à carência de indicadores estatísticos que, hoje, representam um dos maiores gargalos para a administração municipal. Sem saber exatamente quantas pessoas com TEA residem na cidade e quais são suas reais necessidades, o poder público enfrenta dificuldades para alocar recursos de forma assertiva em áreas vitais como saúde, educação e assistência social.

Por que um censo qualificado sobre TEA é urgente?

Para o parlamentar Marcos Fontes, a ausência de dados confiáveis é um obstáculo invisível que impede o avanço de direitos. “Precisamos de diagnósticos claros para formular estratégias que garantam inclusão e atendimento digno. A falta de números oficiais sobre o TEA dificulta a oferta de serviços realmente eficientes para as famílias”, defendeu o vereador durante a apresentação da justificativa da proposta.

O censo não se limitará a uma contagem numérica básica. A proposta de um levantamento “qualificado” implica em entender o perfil sociodemográfico completo, identificando faixas etárias, níveis de suporte necessários e a distribuição geográfica dessas pessoas pelos bairros de São Caetano. Com esses indicadores em mãos, a prefeitura poderá:

  • Dimensionar a demanda por vagas em escolas com mediadores especializados;
  • Ampliar o número de terapias ocupacionais e atendimentos fonoaudiológicos na rede de saúde;
  • Criar programas de inserção no mercado de trabalho para adultos com TEA;
  • Planejar políticas de assistência social voltadas aos cuidadores e familiares.

Transparência e proteção de dados no projeto

De acordo com o texto da propositura, a execução do censo deverá seguir rigorosos padrões éticos e de segurança. Os dados consolidados sobre o TEA deverão ser disponibilizados à sociedade por meio de um relatório público periódico. No entanto, o projeto enfatiza o respeito absoluto às normas de proteção de dados pessoais (LGPD), garantindo o anonimato dos participantes e o sigilo das informações individuais.

A ideia é que o censo funcione como uma ferramenta de planejamento intersetorial. “Dessa maneira, poderemos mapear características individuais, subsidiar a formulação de políticas e aprimorar as ações de inclusão de forma prática”, acrescentou Fontes. A periodicidade do levantamento permitirá que a cidade acompanhe o crescimento da demanda e ajuste seus orçamentos anuais com base na realidade factual.

Próximos passos para a inclusão em São Caetano

O projeto agora segue para análise das comissões permanentes da Câmara Municipal antes de ir a votação em plenário. Se aprovado, São Caetano do Sul dará um passo pioneiro na região do ABC Paulista, consolidando-se como uma cidade que utiliza a ciência de dados para humanizar o atendimento à comunidade com TEA.

A expectativa de associações de pais e profissionais da área é que o censo ajude a retirar muitas famílias da invisibilidade, garantindo que o direito à cidade e ao desenvolvimento pleno seja uma realidade para todos os cidadãos autistas.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 12/02/2026
  • Fonte: FERVER