Marcas na era da Inteligência Artificial podem valer mais que ativos físicos
Na economia digital, marca, registro no INPI e reputação se tornam ativos estratégicos que garantem segurança jurídica e vantagem competitiva
- Publicado: 04/03/2026
- Alterado: 04/03/2026
- Autor: Luisa Caldas
- Fonte: ABCdoABC
A inteligência artificial automatiza processos, reduz custos e acelera decisões. Mas, no meio de tanta tecnologia, um elemento continua absolutamente insubstituível: a marca.
Enquanto algoritmos podem ser replicados e ferramentas se tornam commodities, o nome de uma empresa — quando bem construído e juridicamente protegido — se transforma em um dos ativos mais valiosos do negócio.
Empresas líderes no mercado digital não dominam apenas tecnologia. Elas dominam percepção, identidade e confiança.
O novo patrimônio empresarial

Durante décadas, empresários mediam riqueza por galpões, frota, máquinas e estoque. Hoje, investidores analisam:
• Força da marca
• Reputação digital
• Presença em buscadores
• Reconhecimento do público
• Exclusividade jurídica
Em muitos casos, o nome vale mais do que toda a estrutura física.
Startups, por exemplo, frequentemente não possuem patrimônio tangível relevante, mas alcançam valuations milionários com base quase exclusiva em sua marca e modelo de negócio.
Registro de marca: o alicerce invisível
Sem registro no INPI, o empresário não é dono da própria marca — apenas usuário provisório.
O registro de marca garante:
• Exclusividade nacional de uso
• Direito de impedir cópias
• Proteção em marketplaces e redes sociais
• Segurança para franquias e licenciamentos
• Valorização patrimonial
• Blindagem jurídica em disputas
Em um mercado onde negócios nascem e morrem em meses, segurança jurídica se tornou diferencial competitivo.
O risco silencioso do crescimento sem proteção

Muitos empreendedores crescem rapidamente no digital, investem em tráfego pago, constroem audiência, fecham parcerias… e só depois descobrem que:
• O nome já pertence a outra empresa;
• Existe marca semelhante registrada;
• Não podem expandir;
• São obrigados a trocar identidade visual;
• Perdem redes sociais e domínio.
O prejuízo raramente é apenas financeiro. Ele atinge reputação, confiança do público e continuidade do negócio.
Marca é estratégia, não burocracia
Empreender hoje é disputar atenção em um mercado global, digital e saturado. Quem não protege sua identidade corre o risco de trabalhar para valorizar o patrimônio de terceiros.
Na nova economia, o nome não é detalhe. É ativo estratégico. É escudo jurídico. É motor de crescimento.
Luisa Caldas

Especialista em propriedade intelectual e agente de transformação na valorização do conhecimento. Atualmente, é colunista da editoria Valor Intelectual no portal ABCdoABC. Atua como empresária e palestrante, com 26 anos de experiência na área. É pós-graduada em Propriedade Intelectual pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Responsável por mais de 10 mil marcas registradas e mais de 2 mil patentes no Brasil e no exterior. Sócia da Uniellas Marcas e Patentes e presidente do Instituto de Tecnologia e Inovação do Grande ABC.