Uma letra pode colocar sua marca em risco jurídico

Pequenas mudanças no nome não impedem conflitos de marcas nem afastam riscos de disputas judiciais

Uma letra pode colocar sua marca em risco jurídico

Crédito: (Imagem/Magnific)

Recentemente, uma disputa envolvendo a renomada fabricante de calçados Crocs chamou a atenção do mercado da propriedade intelectual. A discussão ocorreu em razão da utilização da marca “Croose”, considerada excessivamente semelhante à marca original. Embora para muitas pessoas a diferença entre os nomes pareça suficiente para distingui-los, a análise jurídica vai muito além da simples comparação de letras.

Por que trocar uma letra pode não ser suficiente

A legislação marcária existe para proteger não apenas o titular da marca, mas também o consumidor. O principal objetivo é evitar situações em que o público possa ser induzido a acreditar que determinado produto possui relação comercial com outra empresa já conhecida no mercado.

Muitos empreendedores acreditam que trocar uma letra, alterar a grafia ou incluir uma palavra adicional é suficiente para criar uma marca nova. Na prática, o INPI e os tribunais analisam diversos elementos, como sonoridade, semelhança visual, segmento de atuação e possibilidade de confusão.

O problema é que a maioria dessas situações só é percebida quando o negócio já está em operação. Nessa fase, o empreendedor já investiu em identidade visual, materiais gráficos, embalagens, redes sociais, campanhas de marketing e relacionamento com clientes. Quando surge uma notificação ou uma ação judicial, os custos podem ser extremamente elevados.

Os custos de uma escolha equivocada

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(Imagem/Magnific)

Além das despesas jurídicas, a empresa pode ser obrigada a substituir toda sua comunicação de mercado. Muitas vezes, perde-se o reconhecimento conquistado junto aos consumidores, sendo necessário reconstruir uma reconstrução praticamente do zero.

O caso envolvendo a Crocs demonstra que a escolha de uma marca deve ser acompanhada de uma análise técnica especializada. Um nome aparentemente criativo pode esconder riscos jurídicos capazes de comprometer anos de trabalho.

O registro de marca não deve ser encarado apenas como uma formalidade burocrática. Trata-se de uma ferramenta estratégica para proteger investimentos, reduzir riscos e garantir exclusividade no mercado.

A prevenção é o melhor caminho

Antes de lançar um produto, serviço ou empresa, realize uma busca de viabilidade marcária. Essa etapa permite identificar possíveis conflitos e evitar prejuízos futuros. Uma marca forte precisa ser memorável, mas também precisa ser registrável. Investir em prevenção custa muito menos do que enfrentar uma disputa depois que o negócio já está consolidado.

Luisa Caldas

Luisa Caldas
(Divulgação/ABCdoABC)

Especialista em propriedade intelectual e agente de transformação na valorização do conhecimento. Atualmente, é colunista da editoria Valor Intelectual no portal ABCdoABC. Atua como empresária e palestrante, com 26 anos de experiência na área. É pós-graduada em Propriedade Intelectual pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Responsável por mais de 10 mil marcas registradas e mais de 2 mil patentes no Brasil e no exterior. Sócia da Uniellas Marcas e Patentes e presidente do Instituto de Tecnologia e Inovação do Grande ABC.

  • Publicado: 01/07/2026 10:30
  • Alterado: 01/07/2026 10:30
  • Autor: Luisa Caldas
  • Fonte: ABCdoABC

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