Mapa Social do Corona destaca ações comunitárias no combate à pandemia

Estudo aponta importância do trabalho voluntário e social no período

Crédito: Reprodução

A 14ª edição do Mapa Social do Corona, divulgada hoje (7) pelo Observatório de Favelas, evidencia que a chamada pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para ações emergenciais de enfrentamento à covid-19 em favelas do Rio de Janeiro foi uma política pública inovadora ao reconhecer o protagonismo das representações locais.

Segundo a entidade, 54 organizações da sociedade civil, distribuídas em favelas da região metropolitana do Rio de Janeiro e da Costa Verde, foram contempladas pela chamada pública com financiamento para realização de ações contra o novo coronavírus. O edital contou com recursos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no total de R$ 20 milhões, com repasse feito com base na Lei 8.803/20.

Em entrevista, o coordenador do Eixo de Políticas Urbanas do Observatório de Favelas, Aruan Braga, disse que o relatório, o primeiro de 2023, reforça a importância do trabalho voluntário e social feito em 2021 e 2022 por organizações e lideranças comunitárias durante a pandemia da covid-19. O mapa tem foco na atuação das organizações Museu Sankofa da Rocinha, na zona sul; Centro de Integração da Serra da Misericórdia, na Penha, zona norte; e Fundação Angélica Goulart, em Pedra de Guaratiba, zona oeste do Rio.

Segundo Braga, as 54 organizações beneficiadas pelo edital já vinham desenvolvendo ações de enfrentamento à covid-19 em seus territórios e receberam financiamento para fortalecer atividades ao longo de 2021 e 2022, quando o edital foi pago. “Estamos falando de uma política pública que conseguiu efetivar para a população de favela, sobretudo para as organizações e lideranças comunitárias, um suporte para a luta, para as ações que já vinham sendo desenvolvidas no enfrentamento da pandemia”, afirmou.

De acordo com Braga, o que se percebeu no período foi que as organizações, coletivos e associações de moradores promoveram as primeiras reações dos territórios populares para enfrentar a pandemia. “As ações públicas mais concretas vieram só muito tempo depois. Na primeira ação de mitigação dos danos da pandemia, as organizações e coletivos foram fundamentais. E a política pública veio para coroar e fortalecer esse processo.”

Braga explicou que isso pôde ser feito porque a chamada pública permitiu qualificar as ações e ampliar o número de beneficiados. Para ele, a chamada da Fiocruz permitiu também desenvolver institucionalmente os coletivos e organizações. Além do suporte emergencial no cenário da pandemia, Braga diz que é possível haver um efeito mais longevo de fortalecimento das organizações, que continuarão a desenvolver seus trabalhos no médio e longo prazos.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 07/02/2023
  • Fonte: Sorria!,