Manus é adquirida pela Meta em negócio de US$ 2 bilhões

Startup de IA que fatura US$ 100 milhões anuais será integrada ao ecossistema da Meta, prometendo superar ferramentas da OpenAI.

Crédito: Unsplash

A Manus, startup de inteligência artificial sediada em Singapura, acaba de ser comprada pela Meta Platforms em uma movimentação estratégica de mercado. Mark Zuckerberg volta aos holofotes ao adquirir a empresa que ganhou notoriedade no Vale do Silício logo após seu lançamento, na primavera de 2025. A tecnologia chamou a atenção global por demonstrar agentes autônomos capazes de executar tarefas complexas, como triagem de candidatos e planejamento detalhado de viagens.

O diferencial competitivo da Manus reside em sua capacidade de análise técnica. A startup afirma que seus algoritmos de avaliação de portfólios de ações superam o Deep Research da OpenAI. Essa eficiência operacional transformou a empresa em um alvo prioritário para grandes conglomerados de tecnologia.

Ascensão meteórica e números da Manus

O crescimento financeiro da empresa foi explosivo. Logo após sua estreia em abril de 2025, a Manus atraiu uma rodada de investimentos liderada pela respeitada firma Benchmark. O aporte de US$ 75 milhões elevou a avaliação da startup para US$ 500 milhões, colocando Chetan Puttagunta no conselho administrativo.

Além da tecnologia de ponta, a Manus provou ser uma máquina de vendas. A empresa já conta com milhões de usuários ativos e gera uma receita recorrente anual superior a US$ 100 milhões. Segundo apuração do Wall Street Journal, a Meta concordou em pagar o valor exato que a startup buscava em sua próxima rodada de financiamento: US$ 2 bilhões.

Para Zuckerberg, a aquisição da Manus resolve uma dor latente dos acionistas. Enquanto investidores questionam os gastos de US$ 60 bilhões em infraestrutura da Meta, a nova aquisição traz um produto pronto e lucrativo, justificando o alto investimento em data centers.

A Meta planeja integrar a tecnologia da Manus nas seguintes plataformas:

  • Facebook;
  • Instagram;
  • WhatsApp;
  • Chatbot Meta AI existente.

Tensão geopolítica e a origem chinesa

A negociação não ocorreu sem escrutínio político. Os fundadores da Manus estabeleceram sua empresa-mãe, a Butterfly Effect, em Pequim em 2022, mudando-se para Singapura apenas em meados de 2025. Essa origem despertou o alerta de legisladores nos Estados Unidos.

O senador republicano John Cornyn, membro sênior do Comitê de Inteligência, expressou preocupação sobre o capital americano da Benchmark estar ligado a uma empresa com raízes chinesas. Cornyn tem liderado críticas bipartidárias sobre a concorrência tecnológica com a China.

Para blindar a operação, a gigante de tecnologia agiu rápido. Um porta-voz declarou à Nikkei Asia que, após a transação, a Manus cortará todos os vínculos com investidores chineses, como Tencent e ZhenFund. Além disso, as operações da startup na China serão encerradas imediatamente.

A estratégia é clara: limpar o terreno para uma expansão global sem barreiras regulatórias. Ao garantir que não haverá interesses chineses remanescentes, Zuckerberg assegura que a tecnologia da Manus será um pilar fundamental e seguro na disputa pela liderança da inteligência artificial no ocidente.

  • Publicado: 26/01/2026
  • Alterado: 26/01/2026
  • Autor: 30/12/2025
  • Fonte: Maria Clara e JP