Malafaia critica líderes e afirma que prisão seria “a maior covardia”
Malafaia é investigado por supostamente financiar atos considerados antidemocráticos e por manter diálogos onde pressionaria Bolsonaro a desafiar Moraes
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 04/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O pastor Silas Malafaia, conhecido por seu ativismo político, encontra-se no centro de uma polêmica que envolve o financiamento de manifestações em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Além disso, ele gravou mais de 50 vídeos criticando o ministro Alexandre de Moraes e manteve comunicações privadas com Bolsonaro, nas quais o aconselhou a produzir conteúdo contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Em um desdobramento recente, Malafaia teve seu passaporte, celular e “cadernos de esboços bíblicos” apreendidos durante uma operação da Polícia Federal.
No início deste mês, em uma entrevista concedida no dia do julgamento de Bolsonaro no STF, Malafaia se referiu como “covardes” aqueles pastores que preferem não se manifestar sobre as tensões entre o Judiciário e a política. Ele também expressou sua indignação sobre a possibilidade de ser preso, considerando tal ato uma perseguição política.
Malafaia enumerou razões pelas quais acredita que outros líderes evangélicos hesitam em criticar Moraes. Ele aponta três grupos: os que não se envolvem na política por opção, os que temem represálias e os que não possuem habilidades argumentativas suficientes para debater questões políticas. “É até inteligente ficar em silêncio”, observou o pastor.
Ainda que considere a possibilidade de prisão, Malafaia defende que qualquer ação nesse sentido seria injusta e parte de um plano para silenciá-lo devido à sua postura crítica. Ele é investigado por supostamente financiar atos considerados antidemocráticos e por manter diálogos onde pressionaria Bolsonaro a desafiar Moraes.
A respeito do financiamento desses atos, Malafaia afirmou ter utilizado recursos de sua editora, Central Gospel, ao invés de fundos da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Embora tenha financiado eventos significativos, como um trio elétrico em Copacabana durante uma manifestação em 2022, ele optou por não revelar valores específicos.
Sobre sua eventual candidatura à presidência em 2026, Malafaia rejeitou essa possibilidade enfaticamente. Ele se definiu como uma “pequena influência no mundo evangélico” e expressou que qualquer aspiração política dependeria de um sinal divino. “Deus precisaria enviar anjos para me convencer”, afirmou.
Recentemente, durante uma viagem a Portugal, Malafaia ficou ciente de que estava sendo investigado após vazamentos sobre suas conversas com Bolsonaro. Ao retornar ao Brasil, foi abordado pela PF para uma revista detalhada em seu material pessoal. O pastor denunciou essa ação como uma violação de sua liberdade religiosa e um ataque à sua posição na comunidade evangélica.
A amizade entre Malafaia e Bolsonaro remonta a mais de duas décadas; ele mesmo oficializou o casamento do ex-presidente com Michelle em 2013. Embora mantenha contato com os filhos do ex-presidente, admite ter criticado abertamente Eduardo Bolsonaro em áudios que vieram à tona recentemente. “Sou aliado, mas não sou alienado”, disse.
Malafaia também comentou sobre a fragmentação no campo da direita política, afirmando que disputas pelo legado bolsonarista são naturais e inevitáveis. Ele critica a ideia de um candidato já definido para suceder Bolsonaro nas próximas eleições, afirmando que é prematuro fazer tal escolha.
O pastor reconheceu seu uso de linguagem considerada inadequada em mensagens trocadas com Bolsonaro como uma demonstração de sua humanidade. “Não sou um Superman evangélico”, concluiu. Malafaia enfatizou que todos têm falhas e que críticas sobre suas conversas pessoais carecem de hipocrisia.