Mais da metade dos brasileiros demonstram pessimismo com a economia
Levantamento foi conduzido nos dias 12 e 13 de dezembro de 2024, aproximadamente duas semanas após o governo federal anunciar um pacote de ajustes fiscais.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 01/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Uma recente pesquisa realizada pelo Datafolha revela que uma parcela significativa da população brasileira, equivalente a 61%, considera que a economia do país está seguindo um caminho inadequado. Em contrapartida, apenas 32% dos entrevistados acreditam que a trajetória atual é a correta, enquanto 6% não souberam opinar.
Esse descontentamento é ainda mais acentuado em diversas categorias demográficas, com 70 de 80 perfis analisados apresentando uma maioria insatisfeita. A insatisfação é especialmente alta entre os jovens e aqueles que possuem ensino superior completo.
No segmento etário, 71% dos indivíduos entre 16 e 24 anos veem o rumo econômico como errado. Essa percepção diminui conforme aumenta a idade, chegando a 55% entre os maiores de 60 anos.
Entre os formados no ensino superior, 68% manifestam preocupação com a direção econômica do país. Esse número é ligeiramente menor para aqueles que possuem apenas o ensino médio (66%) e reduz-se para 50% entre os que têm apenas o ensino fundamental.
Ao analisar a situação pela perspectiva de renda, observa-se que 67% dos entrevistados com ganhos superiores a cinco salários mínimos criticam o curso da economia. Entre os que recebem entre dois e cinco salários mínimos, esse percentual sobe para 69%. Por outro lado, entre aqueles cuja renda mensal é inferior a dois salários mínimos, o índice de insatisfeitos é de 55%.
O levantamento foi conduzido nos dias 12 e 13 de dezembro de 2024, aproximadamente duas semanas após o governo federal anunciar um pacote de ajustes fiscais considerado por especialistas como insuficiente para equilibrar as contas públicas. Esse período também coincide com uma alta histórica do dólar e a recente decisão do Banco Central de aumentar a taxa básica de juros em um ponto percentual, atingindo a marca de 12,25% ao ano.
A pesquisa abrangeu um total de 2.002 entrevistas em 113 municípios brasileiros, com margem de erro estimada em dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Analisando as ocupações dos participantes, os empresários se destacam como os mais críticos da situação econômica, com uma insatisfação alcançando 76%. Dentre os trabalhadores formais, esse percentual é de 69%, enquanto entre os desempregados que buscam emprego, chega a 52%.
Quando se consideram fatores como religião e preferências políticas, observou-se um descontentamento particular entre os apoiadores do PL (Partido Liberal), onde impressionantes 88% expressam críticas ao atual cenário econômico. Entre aqueles que votaram em Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022, o índice é igualmente alto, atingindo 84%. Os evangélicos também demonstram insatisfação significativa, com 71% desaprovando o rumo tomado pela economia.
A insatisfação não poupa nem mesmo os beneficiários do Bolsa Família; dentre eles, 53% manifestam discordância em relação à direção econômica do país. Para aqueles que não recebem esse auxílio governamental, esse percentual aumenta para 64%.
Os dados revelam um panorama pessimista mesmo diante de índices historicamente baixos de desemprego. O sentimento geral sobre o aumento da inflação cresceu significativamente: subiu de 51% há um ano para atuais 67%. Além disso, aumentou a proporção daqueles que acreditam na redução do poder aquisitivo dos salários — passando de 30% para 39%, enquanto apenas 31% acreditam que permanecerá estável e 27% preveem uma melhora.
A expectativa sobre o futuro imediato da economia também é desalentadora. Apenas 33% dos entrevistados acreditam em uma melhora nos próximos meses — uma queda acentuada no otimismo desde junho de 2022. A maioria (37%) prevê que as condições permanecerão inalteradas, enquanto aqueles que esperam por uma piora aumentaram para 28%.
Além disso, a percepção sobre a situação econômica nos últimos meses mostra uma deterioração: 45% afirmaram que as condições econômicas pioraram — um aumento comparado aos 35% registrados no ano anterior. Por outro lado, apenas 22% sentem que houve melhoria na situação econômica desde então.
O pessimismo em relação ao desemprego também apresenta um aumento em comparação ao ano anterior; apesar da melhoria desde março deste ano, o percentual dos que acreditam na elevação do desemprego subiu de 39% em dezembro passado para atuais 41%, passando por um pico de 46% no primeiro trimestre.