Maioria no Brasil diz confiar em IA, mas índice encolhe em quatro anos
Pesquisa revela queda no apoio dos brasileiros à IA, com destaque para carros autônomos. 96% conhecem a tecnologia, mas seu uso levanta preocupações.
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 04/09/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
Uma nova pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e divulgada nesta quinta-feira (4) aponta uma diminuição significativa no apoio dos brasileiros ao uso de inteligência artificial (IA) em diversas áreas, incluindo redes sociais, plataformas de streaming e veículos autônomos, nos últimos cinco anos.
Entre os oito setores analisados, o segmento de carros autônomos é o que suscita maior desconfiança: 24% dos entrevistados manifestaram-se contrários à utilização dessa tecnologia, enquanto 51% expressaram algum grau de apoio e 25% se posicionaram neutros. Em 2021, a aprovação para essa tecnologia era de 67%.
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A aceitação do uso da IA em redes sociais para recomendações de notícias também apresentou uma queda considerável, passando de 73% em 2021 para 57% em 2025. Outros usos da tecnologia mostraram taxas de aprovação variadas, como atendimento telefônico (61%), sugestões de tratamentos (61%), direcionamento de conteúdo não noticioso (69%), recomendações de filmes (79%) e publicidade (67%). A avaliação sobre a recomendação de trajetos em mapas obteve um apoio de 78%. Todas as categorias apresentaram redução no respaldo popular, superando a margem de erro de 2,5%.
A pesquisa foi conduzida com uma amostra aleatória de 1.499 adultos em todo o Brasil entre os dias 4 e 8 de julho. O levantamento também investigou a frequência de uso da inteligência artificial pelos brasileiros: 82% afirmaram já ter utilizado a tecnologia em tarefas pessoais e 57% em atividades profissionais. Isso contrasta com o cenário observado em 2021, quando a utilização da IA era mais restrita a especialistas na área.
Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, destacou que “essa adoção massiva demonstra o quanto a tecnologia pode ser útil e transformadora, mas ressalta a necessidade urgente de um uso responsável“. Ele alertou sobre os riscos associados à dependência da IA, que podem incluir a ampliação da desinformação e o viés nas tomadas de decisão.
A pesquisa foi encomendada pelo Instituto Inteligência Artificial de Verdade (IAV), que conta com o apoio do apresentador Luciano Huck e foi fundado pelo cientista da computação Evanildo Barros Junior e pelo neurocientista Álvaro Machado Dias, colunista da Folha e docente na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
De acordo com os dados do Instituto Locomotiva, 96% dos brasileiros afirmam ter conhecimento sobre inteligência artificial. No entanto, essa familiaridade varia entre classes sociais: enquanto 81% das pessoas nas classes A e B conhecem bem a tecnologia, esse número cai para 66% nas classes D e E e fica em 73% entre os grupos intermediários.
O IAV categoriza as aplicações da IA em “artificial de verdade“, referindo-se aos usos benéficos como ferramentas para trabalho e estudo, e “artificial de mentira”, que abrange práticas prejudiciais à sociedade como fraudes, disseminação de fake news e manipulação visual. O objetivo da organização é capacitar a população para discernir entre esses dois tipos de utilização.