Maio: Hospital de Clínicas realizará neurocirurgias
Serviço é inédito na rede pública de São Bernardo e tem como objetivo atender demanda de casos que hoje são transferidos para hospitais de fora da cidade
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 03/05/2014
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Hospital de Clínicas Municipal José Alencar passará a realizar neurocirurgias em maio, serviço inédito na rede pública de São Bernardo do Campo. A informação foi dada pela secretária de Saúde Odete Gialdi, durante entrevista coletiva realizada na manhã desta terça-feira (29/4), na qual a titular da Pasta fez balanço dos primeiros quatro meses de atividades da unidade.
Odete destacou que hoje, na região, as neurocirurgias são realizadas pelos hospitais estaduais Mário Covas (Santo André) e Serraria (Diadema), mas que o município tem dificuldade de conseguir acessar vagas no tempo adequado. “São casos de urgência que precisam ser encaminhados o mais rápido possível. Com esse atendimento, vamos conseguir desafogar a demanda de pacientes que hoje vão para fora do município”, salientou.
O superintendente do HC, Daniel Beltrammi, destacou que a ideia é atender cirurgias de emergência, não as eletivas. “Queremos ter capacidade de atender à demanda nos casos de emergência, que não é pequena”, disse.
Também neste ano, o HC passará a atender casos de cardiologia intervencionista, infarto agudo do miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC) que, na avaliação da secretária, são as principais causas de internações e complicações da saúde. O serviço de cardiologia possibilitará grande avanço no atendimento aos pacientes, permitindo, por exemplo, a colocação de stents (próteses utilizadas para a desobstrução de artérias).
Pediatria – O hospital também contará com atendimento pediátrico que, em um primeiro momento, não estava previsto para ser oferecido no HC. “O serviço é disponibilizado no Hospital e Pronto-Socorro Central, que não conta com espaço adequado para isso. Agora teremos condições de oferecer o atendimento com mais qualidade”, disse a secretária.
A expectativa é que o serviço seja disponibilizado em até 90 dias. Serão oferecidos 30 leitos de internação e 20 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Temos de lembrar que teremos pediatra e hebiatra (especializado no atendimento a adolescentes) atuando juntos”, explicou Beltrammi.
O Hospital de Clínicas também contará com centro para exames de imagens, no segundo semestre. A secretária adiantou que os equipamentos para exames como densitometria óssea estão sendo instalados, enquanto o “aparelho para ressonância magnética está em processo de licitação”.
Balanço – Durante os primeiros 30 dias de funcionamento do HC, com o objetivo de testar fluxos e protocolos assistenciais, a oferta de leitos ocorreu de forma gradual até completar os 30 leitos de sua primeira unidade de internação. No dia 17 de fevereiro, o hospital abriu a segunda unidade, com mais 30 leitos. Dessa forma, nos primeiros 90 dias, o HC conseguiu concluir a oferta de 60 leitos de internação e 10 de UTI.
Com a incorporação de mais 30 leitos de internação e 10 de UTI, atualmente o HC conta com 110 leitos abertos à população, muito próximo da atual capacidade do Hospital Anchieta, que é de 140 leitos.
Nestes primeiros quatro meses de implantação, o HC tem apresentado taxa de 85% de ocupação dos leitos de internação, com média de permanência de sete dias por paciente. Mais de 70% desses pacientes estão na faixa etária entre 60 e 80 anos.
Já a taxa de ocupação dos leitos de UTI registra 95%, também com média de permanência de sete dias por paciente. Conforme o balanço, 50% dos leitos de UTI vêm sendo ocupados por pessoas com doenças do coração, que dependem do tratamento hospitalar rápido para que tenham chance de sobreviver.
O HC tem sido decisivo na diminuição da sobrecarga dos outros estabelecimentos da rede pública de Saúde, notadamente o Hospital e Pronto-Socorro Central (HPSC), que é a unidade com maior demanda de pacientes no município. Muitos pacientes que permaneciam em leitos de observação nas UPAs por falta de vagas nos hospitais estão sendo levados para o Hospital de Clínicas, desafogando essas unidades, que precisam da rotatividade nos leitos para atender melhor os casos de urgência e emergência.
O hospital tem importante diferencial no atendimento aos pacientes internados. Além dos plantonistas, conta com médicos fixos, ou seja, que estão diariamente no hospital, permitindo acompanhamento frequente dos casos e estabelecimento de vínculo com os pacientes, o que garante a qualificação do cuidado.
ORTOPEDIA – Em abril, começou a funcionar o serviço ambulatorial de ortopedia e também as cirurgias do trauma ortopédico, procedimento até então realizado no Hospital Anchieta, o que permitiu a liberação desta unidade para aumentar a capacidade de cirurgias gerais e reconfigurá-la como referência em oncologia.
Os pacientes de trauma ortopédico encaminhados para o HC são pessoas que sofreram lesões (violência no trânsito, acidentes de trabalho ou outras causas) e que já passaram por uma primeira cirurgia ou por período de imobilização para nova avaliação cirúrgica.
Projetado para o futuro – Quando estiver funcionando em sua capacidade máxima, em meados de 2015, o HC contará com total de 293 leitos, sendo 197 de internação (incluindo 17 leitos destinados à desintoxicação de pacientes em uso abusivo de álcool e drogas), 96 leitos complementares (60 de UTI – 20 pediátricos e 40 de adultos, 29 de recuperação anestésica e sete leitos de hospital-dia).
A secretária de Saúde salienta que o hospital foi projetado para atender à demanda local e reduzir o déficit de leitos clínicos e cirúrgicos no município, mas que a médio e longo prazo também poderá vir a assumir importante papel como unidade de referência regional.
“O HC foi dimensionado para acompanhar as necessidades do crescimento da cidade para daqui a 15 ou 20 anos. Está capacitado para agregar novas tecnologias. Se houver pactuação regional ou estadual para implantar novos serviços, temos capacidade de atender”, afirma a secretária.