Maduro: Povo do Brasil deve apoiar luta pela paz e soberania
Com boné do MST, o líder venezuelano clama por mobilização dos brasileiros; ação coincide com a intensificação da ofensiva dos EUA contra o narcotráfico e o Cartel de Los Soles
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 05/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O cenário geopolítico na América do Sul e no Caribe se acirra em uma complexa dinâmica entre ideologia e guerra ao narcotráfico. Em um programa de televisão na quinta-feira (4), o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez um inusitado e direto apelo aos cidadãos brasileiros, pedindo apoio explícito em sua luta pela paz e soberania. A mensagem, proferida em uma mistura de português e espanhol, utilizou um símbolo do ativismo brasileiro para sublinhar a solidariedade: um boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que ele recebeu e ostentou durante a transmissão.
Maduro utilizou o acessório para reforçar seu discurso de união e resistência popular, buscando a mobilização da esquerda brasileira. “A luta pela paz e soberania continua e a vitória nos pertence”, declarou o líder venezuelano, exaltando a unidade que, segundo ele, deve existir entre os povos do Brasil e da Venezuela.
O pedido de engajamento popular foi direto e enfático, um claro chamamento à ação política no país vizinho, feito diretamente à população:
“Povo do Brasil, saiam às ruas para apoiar as pessoas da Venezuela e a luta pela paz e soberania. Estou falando para vocês, teremos direito à paz com soberania. Viva o Brasil,” concluiu o presidente.
A estratégia dos EUA contra o narcotráfico no pacífico

Este pedido de engajamento popular ocorre em um momento de extrema tensão militar e política entre Caracas e Washington. Em paralelo à aparição de Maduro na televisão, os Estados Unidos reportaram a execução de mais uma operação militar focada no combate ao narcotráfico na mesma data.
As Forças Armadas americanas relataram uma ação no Oceano Pacífico que resultou na morte de quatro indivíduos que estariam associados a uma organização terrorista envolvida no tráfico de drogas. A administração do presidente Donald Trump tem justificado tais ações como uma tentativa crucial de interromper o fluxo de narcóticos que ingressam no território norte-americano.
Desde agosto, o governo dos EUA intensificou significativamente sua presença naval e militar, tanto no Caribe quanto no Pacífico, visando desarticular as rotas de narcotráfico. A campanha americana já é extensa. Segundo informações divulgadas pelas próprias Forças Armadas, as ações militares já contabilizam mais de 80 fatalidades e 23 embarcações foram alvo das operações até o momento. A luta pela paz e soberania da Venezuela é vista de forma diametralmente oposta por Washington, que enquadra o regime dentro do escopo de organizações criminosas internacionais.
Cartel de Los Soles: A principal acusação contra Maduro

A Casa Branca elevou o tom das acusações ao rotular Nicolás Maduro como líder do chamado Cartel de Los Soles, uma organização que, segundo o Departamento de Estado americano, foi designada como terrorista estrangeira. Esta acusação formal estabelece um vínculo direto entre o alto escalão do governo venezuelano e o comando do narcotráfico, colocando a luta pela paz e soberania venezuelana sob uma ótica criminal.
O governo venezuelano, por sua vez, tem rebatido as alegações, considerando-as “ridículas” e afirmando categoricamente que o cartel nunca existiu. Maduro nega veementemente qualquer ligação com atividades criminosas relacionadas ao tráfico de drogas.
O Envolvimento Familiar e o Crime Organizado
Apesar da negativa oficial, o tema do narcotráfico já atingiu diretamente a família presidencial. Dois sobrinhos da esposa de Nicolás Maduro foram condenados por tráfico de cocaína em um tribunal de Nova York, o que alimenta o discurso americano de envolvimento do regime com o crime.
Além do tráfico de drogas em si, o suposto Cartel de Los Soles é acusado de diversas atividades ilícitas dentro da Venezuela, conforme relatórios da organização de pesquisa Insight Crime. Estas atividades criminosas incluem:
- Roubo de combustível;
- Exploração mineral ilegal;
- Várias formas de corrupção associadas ao tráfico de drogas.
Essa complexa rede de acusações e operações militares transforma a região em um palco de alta tensão, onde o chamado popular pela luta pela paz e soberania coexiste com uma intensa campanha de combate ao crime organizado transnacional.