Lula avalia antecipar troca de ministros que disputarão eleições de 2026

Ao menos 20 ministros podem deixar os cargos, enquanto partidos do centrão pressionam por mais espaço no governo

Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula está considerando implementar uma reforma ministerial ainda este ano, com o intuito de reestruturar seu governo em preparação para as eleições de 2026. Durante conversas com seus aliados, Lula manifestou a intenção de substituir ministros que irão concorrer nas eleições do próximo ano antes do prazo final de desincompatibilização, previsto para abril.

Os assessores próximos ao presidente interpretam o atual cenário político como uma oportunidade para expandir as alianças regionais do governo, particularmente com partidos centristas. A proposta de reforma ministerial pode ser fragmentada e iniciar ainda em outubro, impulsionada pela possível nomeação de Guilherme Boulos, do PSOL, para a Secretaria-Geral da Presidência, além da pressão exercida pela federação formada pelo União Brasil e PP sobre seus membros que ocupam cargos no Executivo.

No entanto, essa iniciativa enfrenta resistência significativa por parte dos ministros que pretendem se candidatar nas próximas eleições. Muitos deles preferem manter seus postos até a data-limite estabelecida, acreditando que a experiência adquirida na administração pública servirá como um ativo eleitoral valioso. Um exemplo claro dessa situação é a insistência dos ministros pertencentes à federação União Brasil e PP em permanecer em suas funções, mesmo diante das orientações contrárias de seus respectivos partidos.

No dia 2 de outubro, as legendas União Brasil e PP anunciaram sua decisão de afastar os ministros que possuem mandatos até o dia 30 deste mês. O União Brasil chegou a declarar a intenção de antecipar esse desligamento. Contudo, Celso Sabino, titular do Ministério do Turismo, obteve uma prorrogação temporária e solicitou ao partido que lhe permitisse permanecer no cargo até o final do ano.

Embora tenha sido pressionado a renunciar, Sabino ainda planeja acompanhar Lula em um evento oficial em Belém. Ele tem a intenção de se candidatar ao Senado pelo estado do Pará, onde foi eleito deputado federal anteriormente. Por outro lado, o PP definiu como prazo final para que o ministro André Fufuca deixe o governo o sábado (4), embora a data originalmente estabelecida fosse quarta-feira (1º).

Atualmente, Lula não tomou iniciativas concretas para exonerar os ministros em questão. No caso do União Brasil, o presidente tem reiterado que sua relação é diretamente com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que deverá indicar os sucessores nas pastas em questão. Se mantida a orientação do PP de desocupar os cargos, há uma expectativa de que Lula utilize essas vagas para fortalecer outros partidos como PSD, PDT ou PSB.

Ainda segundo fontes próximas ao presidente, as mudanças não deverão se restringir apenas aos partidos centristas e podem incluir membros do próprio PT. Entre os petistas com potencial para concorrer nas eleições estão Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Luiz Marinho (Trabalho).

A estratégia delineada por Lula para 2026 irá influenciar o calendário da reforma ministerial. O rearranjo dos ministérios dependerá do perfil que o presidente deseja imprimir ao seu último ano de mandato e das especificidades de cada pasta. Nos casos em que optarem por promover secretários-executivos como substitutos, as trocas poderão ocorrer no próximo ano; contudo, se Lula decidir formar uma nova equipe imediatamente, isso poderá ser antecipado.

A previsão é de que pelo menos 20 ministros deixem seus cargos para concorrer nas eleições. Entre aqueles com funções cruciais estão Rui Costa (Casa Civil) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), que podem ser mantidos até abril.

Além dos ministros já citados como pré-candidatos, Fernando Haddad (Fazenda) também poderá deixar o governo, ainda que seja para coordenar a campanha presidencial de Lula caso não busque concorrer ao governo de São Paulo.

Lula deverá oferecer suporte às candidaturas dos ministros, mesmo se seus partidos decidirem lançar outros candidatos à presidência; Sabino está entre eles e busca apoio na sua tentativa de se candidatar ao Senado. Outro exemplo é Sílvio Costa Filho (Republicanos), atual ministro de Portos e Aeroportos e pré-candidato ao Senado também receberá respaldo do presidente.

ALIANÇAS REGIONAIS

No Palácio do Planalto, a estratégia atual visa aproveitar o bom momento político de Lula para estabelecer alianças nos estados e tentar conter o crescimento das coligações entre partidos centristas ou, alternativamente, montar apoios regionais para estruturar palanques eleitorais.

Duas figuras influentes no centrão reconhecem uma mudança no cenário político atual; no entanto, alertam que essa é apenas uma fotografia momentânea – muitas transformações podem ocorrer até as eleições. Um desses políticos ressalta que há dois meses Lula enfrentava dificuldades políticas significativas; atualmente ele surge como favorito nas projeções para 2026, embora novas reviravoltas sejam sempre possíveis.

Um membro da alta cúpula da Câmara dos Deputados destacou que o governo está aproveitando “os bons ventos” proporcionados pelas recentes notícias favoráveis. Contudo, ele também advertiu sobre um panorama ainda desafiador para o Executivo no Congresso Nacional enquanto questões importantes continuam sendo debatidas e problemas financeiros enfrentados pelo governo há meses voltarão à pauta até o final do ano.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 01/10/2025
  • Fonte: Sorria!,