Lula cobra ação sobre combustíveis fósseis e desmatamento

Lula defende US$ 1,3 tri em Belém e critica geopolítica global; Brasil busca taxar super-ricos para financiar a luta climática

Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou a Cúpula de Líderes em Belém, no Pará, nesta quinta-feira (6). O evento, que precede a Conferência das Partes (COP30), serviu como plataforma para o mandatário brasileiro reiterar a necessidade de reduzir a dependência global de combustíveis fósseis e reverter o desmatamento na Amazônia. Em seu discurso de abertura, o presidente reiterou suas críticas ao sistema da Organização das Nações Unidas (ONU) e aos países mais desenvolvidos.

Em seu terceiro mandato, o presidente destacou que o Brasil conseguiu reverter uma tendência de alta no desmatamento observada nos anos anteriores, anunciando uma redução de 50% nas taxas na Amazônia. Apesar desse avanço, Lula reconheceu as “dificuldades e contradições” e sublinhou a urgência de um plano de ação: “Apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos estabelecer um caminho claro para reverter o desmatamento e reduzir nossa dependência de combustíveis fósseis”, declarou.

Ele também lançou um questionamento direto sobre as ações globais em relação ao colapso ambiental, afirmando: “É justo que os amazônidas questionem o que está sendo feito pelo restante do mundo para proteger suas casas”.

A Contradição da transição energética e o apelo global

Lula
Ricardo Stuckert / PR

Um dos pontos mais sensíveis e amplamente debatidos no discurso de Lula foi o apelo para um “afastamento dos combustíveis fósseis“, considerado um passo crucial para a estabilidade climática global.

Apesar dessa defesa, o presidente está envolvido em uma contradição evidente ao ter solicitado ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) a concessão da licença para que a Petrobras inicie a perfuração na Foz do Amazonas com o objetivo de avaliar a viabilidade da exploração petrolífera na região.

Lula fez referência à COP30 como um retorno da convenção climática ao Brasil, aludindo à Eco-92, que ocorreu no Rio de Janeiro em 1992. O presidente defendeu o Acordo de Paris, firmado há uma década com o intuito de limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C em comparação aos níveis pré-industriais, embora a ONU já tenha indicado que este limite pode ser ultrapassado.

O presidente garantiu que o legado das conferências climáticas anteriores será mantido, mencionando acordos voltados à limitação e transição dos combustíveis fósseis. Lula também abordou o que chamou de “falso dilema entre prosperidade e preservação“, afirmando que “interesses imediatos e egoístas têm prevalecido sobre o bem comum”.

Financiamento climático e a grande aposta de Lula na COP30

Fundo de Florestas Tropicais
Reprodução

A Cúpula de Líderes visa compartilhar as intenções dos representantes sobre combate às mudanças climáticas e financiamento da adaptação ambiental. Lula propôs mobilizar US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 7 trilhões) para iniciativas climáticas.

Para alcançar esse objetivo, o presidente citou uma proposta conjunta do Brasil e do Azerbaijão (país-sede da COP anterior) que sugere tributar fortunas, jatinhos e bens de luxo.

O principal mecanismo de financiamento defendido pelo Brasil é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Proposto pelo Brasil, esse mecanismo busca recompensar países pela preservação de sua vegetação nativa e é considerado uma das principais apostas para a Lula . O lançamento do fundo ocorreu após um almoço oferecido pelo governo brasileiro aos chefes de Estado. Noruega e França anunciaram investimentos que elevam o total já declarado para US$ 5,5 bilhões. O fundo tem como meta reunir US$ 125 bilhões, sendo US$ 25 bilhões provenientes de investimentos governamentais e US$ 100 bilhões do setor privado.

A Crítica do Presidente: Desigualdade e a lógica da soma zero na ONU

Lula não se limitou a debater propostas, mas também direcionou críticas ao sistema global. Ele criticou a ONU, afirmando que “o regime climático não está isento da lógica de soma zero que domina as relações internacionais”.

Reiterando suas críticas aos países desenvolvidos, o presidente sublinhou a importância de vincular a questão climática às desigualdades sociais e de gênero. “As mudanças climáticas são resultado das mesmas dinâmicas que historicamente fragmentaram nossas sociedades entre ricos e pobres e dividiram o mundo entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento”, afirmou.

Lula concluiu ressaltando que “a justiça climática deve estar alinhada com a luta contra a fome e a pobreza, além da promoção da igualdade de gênero“. Ele também mencionou a desconexão entre geopolítica e urgência climática, observando que os conflitos armados — sem citar nenhum especificamente — consomem recursos que deveriam ser direcionados para combater as mudanças climáticas.

A Cúpula dos Líderes, que se estenderá até esta sexta-feira (7), tem programados discursos de mais de 130 autoridades, incluindo representantes de organizações multilaterais como o Banco Mundial e a Agência Internacional de Energia. Paralelamente à plenária, os líderes discutirão temas cruciais como a importância das florestas e oceanos na regulação climática, transição energética, financiamento climático, um balanço dos dez anos do Acordo de Paris e o TFFF. A COP30 está agendada para começar na próxima segunda-feira (10) e se estender até o dia 21.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 07/11/2025
  • Fonte: FERVER