Lula defende soberania digital e protagonismo de países emergentes
Presidente alerta para risco de “colonialismo digital” e reforça que transição energética deve fortalecer base industrial dos países detentores de recursos
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 23/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, neste domingo (23), durante a Cúpula de Líderes do G20 em Joanesburgo, que países em desenvolvimento assumam papel central na governança da inteligência artificial (IA) e na cadeia produtiva dos minerais críticos.
Em discurso no painel “Um Futuro Justo e Equitativo para Todos”, o chefe do Executivo alertou para o risco de que a transição energética aprofunde desigualdades caso as nações detentoras de recursos naturais continuem relegadas ao papel de meras fornecedoras.
“Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores, enquanto seguem à margem da inovação tecnológica”, afirmou Lula.
Para ele, a soberania digital passa pela capacidade de transformar recursos naturais em valor agregado, com políticas industriais robustas e investimentos responsáveis. Ele citou a criação do Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos como parte desse esforço no Brasil.
Risco de “novo colonialismo digital” e governança global da IA

Ao abordar os desafios da inteligência artificial, Lula destacou que a tecnologia é “um caminho sem volta”, mas alertou para o risco de que o domínio de algoritmos e dados por poucos países acentue a exclusão global. O presidente chamou atenção para a desigualdade digital: enquanto 93% da população dos países de alta renda têm acesso à internet, essa taxa cai para menos de 30% em nações de baixa renda.
“Quando poucos controlam algoritmos, dados e infraestruturas, a inovação passa a gerar exclusão. É fundamental evitar uma nova forma de colonialismo: o digital”, alertou. Lula defendeu que a Organização das Nações Unidas seja o centro das discussões sobre a regulação da IA e parabenizou a África do Sul pela “Iniciativa IA para a África”, voltada ao desenvolvimento tecnológico inclusivo no continente.
Trabalho decente como eixo da transição tecnológica
O presidente também relacionou o avanço tecnológico à proteção social, reforçando que a inovação deve caminhar ao lado da garantia de direitos. Ele destacou que cerca de 40% dos trabalhadores em todo o mundo atuam em funções potencialmente impactadas pela automação e defendeu que a transição energética e digital precisa preservar oportunidades de emprego.
“A tecnologia deve fortalecer, e não fragilizar, direitos humanos e trabalhistas. O trabalho decente deve ser o objetivo das nossas ações”, declarou Lula. Para ele, cada chip, painel solar ou linha de código produzido no mundo precisa carregar o compromisso com inclusão social e sustentabilidade.
Declaração de emergência da desigualdade e encontros bilaterais
No sábado, Lula já havia defendido que o G20 reconheça a desigualdade como uma “emergência global”. Propôs medidas como taxação dos super-ricos e mecanismos de troca de dívida por investimentos em desenvolvimento e clima. Ele também reforçou o papel do grupo como articulador do Mapa do Caminho para a transição energética.
Além das sessões plenárias, Lula se reuniu com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. Neste domingo, antes da terceira sessão, participou de um encontro trilateral com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, no contexto da retomada do IBAS.