Lula enfrenta pressão política após megaoperação no Rio

Crise reacende debate sobre segurança pública e reaproxima oposição em torno de discurso punitivo

Crédito: Ricardo Stuckert/PR

A operação policial realizada na terça-feira (28) no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes, reacendeu o debate sobre segurança pública e colocou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em posição defensiva.

A ação, considerada a mais letal da história do país, foi conduzida sob a gestão do governador Cláudio Castro (PL) e recebeu aprovação de 57% dos moradores da capital e região metropolitana, segundo pesquisa Datafolha.

A repercussão do caso ofuscou outras pautas políticas e unificou o discurso da direita, que vinha fragmentada após recentes controvérsias envolvendo figuras bolsonaristas. Para o Palácio do Planalto, o episódio interrompeu um ciclo de notícias positivas que fortaleciam a narrativa de um governo focado em soberania e justiça social.

Lula adota tom cauteloso e evita críticas à ação

Marcelo Camargo / Agência Brasil

Diferente de reações anteriores da esquerda, Lula optou por não condenar publicamente a operação. O presidente manteve silêncio até a noite de quarta-feira (29), quando publicou mensagem nas redes sociais defendendo “trabalho coordenado contra o tráfico, sem colocar policiais, crianças e famílias em risco”.

A decisão de evitar críticas foi estratégica, segundo aliados, para impedir que declarações presidenciais fossem usadas pela oposição.

O governo, inclusive, destacou nas redes a sanção de um projeto de lei que prevê prisão para quem planejar ataques contra autoridades envolvidas no combate ao crime — proposta de autoria do ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (União Brasil-PR), responsável pela prisão de Lula na Lava Jato.

Direita se fortalece e lança o “Consórcio da Paz”

Governadores aliados ao campo conservador aproveitaram a crise para reforçar o discurso de enfrentamento ao crime. Na quinta-feira (30), reunidos no Rio de Janeiro, anunciaram a criação do “Consórcio da Paz”, grupo voltado a ações conjuntas de segurança pública.

Entre os participantes estava o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), principal nome cotado para disputar a Presidência contra Lula em 2026.

Nos bastidores do PT, dirigentes avaliam que a megaoperação funcionou como uma “tábua de salvação” para a direita, permitindo aos governadores se afastarem da imagem de Jair Bolsonaro e recuperarem protagonismo político.

Ainda assim, aliados do Planalto afirmam que o governo pretende insistir na narrativa de combate inteligente ao crime, destacando ações como a Operação Carbono Oculto, que desarticulou a atuação do PCC no setor de combustíveis em São Paulo.

Avaliação e estratégia do governo

A cúpula petista encomendou novas pesquisas de opinião para medir o impacto da operação na imagem do presidente. A ideia é reagir à narrativa oposicionista sem se aprofundar excessivamente no tema.

Apesar da pressão, auxiliares próximos a Lula acreditam que a segurança pública, embora relevante, dificilmente será o fator decisivo nas eleições de 2026.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 02/11/2025
  • Fonte: Fever