Lula leva temas sobre Palestina, clima e democracia à ONU em NY
Posições de Lula contrastam com Trump em política internacional e clima
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 15/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
Durante sua viagem aos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrará esforços em pautas que incluem a questão palestina, a defesa da democracia, o fortalecimento dos organismos multilaterais e a mudança climática. Este compromisso ocorre no contexto da Assembleia-Geral da ONU, marcada para o dia 23.
As posições de Lula representam um contraste significativo com as do presidente norte-americano Donald Trump, que se destaca como um aliado incondicional de Israel na atual ofensiva na Faixa de Gaza e adota uma postura crítica em relação a instituições internacionais, além de implementar políticas que enfraquecem os esforços contra o aquecimento global.
Tradicionalmente, o Brasil realiza o discurso inaugural da Assembleia, seguido pela fala do anfitrião, os Estados Unidos. Após essa abertura, está agendado um encontro bilateral entre Lula e António Guterres, secretário-geral da ONU.
O presidente brasileiro também participará de uma sessão de alto nível focada na questão palestina e na promoção de uma solução que contemple dois Estados coexistindo pacificamente. Além disso, Lula atuará como copresidente, ao lado dos líderes do Chile e da Espanha, Gabriel Boric e Pedro Sánchez, respectivamente, em um evento destinado à defesa da democracia e à luta contra o extremismo.
Na esfera climática, Lula será uma das figuras centrais na abertura da Semana do Clima de Nova York e copresidirá a Cúpula Virtual sobre Ambição Climática com Guterres. Este evento é crucial para a apresentação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que são compromissos dos países em relação à descarbonização. Os NDCs são especialmente relevantes neste ano para alimentar um relatório abrangente que servirá como base nas negociações da COP30, prevista para acontecer em Belém (PA).
Além das questões ambientais, o Itamaraty indicou que Lula abordará temas como a reforma das Nações Unidas e do Conselho de Segurança, bem como estratégias para promover a paz global e o desenvolvimento sustentável. Contudo, não foram divulgados detalhes sobre possíveis encontros bilaterais com outros líderes mundiais.
A relação Brasil-Estados Unidos passou por tensões após Trump implementar tarifas unilaterais sobre produtos brasileiros e aplicar sanções a políticos brasileiros, incluindo o ministro Alexandre de Moraes do STF. A imposição dessas medidas gerou preocupações no Itamaraty sobre os efeitos nas relações diplomáticas.
Apesar das incertezas sobre o número de integrantes da delegação brasileira devido à documentação ainda pendente, o ministério assegura que tudo transcorre dentro dos protocolos normais estabelecidos. Segundo acordos firmados em 1947 que regem as obrigações dos EUA como sede da ONU, Washington é obrigado a conceder vistos a todas as delegações participantes.
Em recente reunião com várias nações, o Brasil expressou apreensão quanto ao cumprimento das obrigações referentes à entrada de representantes palestinos nos Estados Unidos. Em meio a esse cenário político complexo, Lula destacou em artigo no jornal The New York Times seu orgulho pelo trabalho do STF e reiterou a necessidade de manter um diálogo aberto com Trump, enfatizando que os princípios democráticos do Brasil não estão em discussão.
No âmbito ambiental, além das NDCs e da Cúpula Virtual sobre Ambição Climática, Lula também deverá participar de discussões voltadas para adaptação climática e preservação florestal. Ele buscará apoio para o Fundo Florestas para Sempre (TFFF), iniciativa que visa financiar projetos de preservação ambiental na Amazônia e outros biomas brasileiros por meio de um modelo inovador de investimento.
A expectativa é que o fundo se torne operacional até a COP30, com um objetivo ambicioso de arrecadar US$ 25 bilhões para garantir recursos necessários à proteção ambiental.