Lula mira trilhão comercial e cobra "nova ONU" na Índia

Presidente encerra missão na Ásia com acordos bilionários, recados diretos a Donald Trump e forte defesa da expansão do Conselho da ONU.

Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Lula encerrou sua visita de Estado à Índia neste domingo (22) com um balanço otimista sobre a economia nacional. Durante a coletiva de imprensa, concedida pouco antes de seu embarque oficial para a Coreia do Sul, o chefe de Estado fez questão de exaltar a previsibilidade e a segurança jurídica do nosso país. O objetivo central deste giro diplomático é atrair novos capitais estrangeiros e consolidar o protagonismo comercial do chamado Sul Global.

A meta de Lula para o comércio exterior do Brasil

Há pouco mais de duas décadas, o Brasil comemorava a marca histórica de 100 bilhões de dólares em trocas comerciais. Hoje, esse fluxo econômico global saltou para impressionantes 649 bilhões de dólares.

Lula projeta números ainda mais audaciosos para os próximos calendários. A intenção declarada do Palácio do Planalto é alcançar a faixa inédita de um trilhão de dólares na soma de exportações e importações.

“É importante mostrar para o mundo o momento que vive o Brasil. Em apenas três anos e dois meses, nós fizemos mais de 520 novos mercados de produtos brasileiros. É mais do que tudo que a gente já tinha alcançado em muito tempo.”

Parceria estratégica com a Índia e novos acordos

A relação bilateral construída com o primeiro-ministro Narendra Modi rendeu frutos imediatos. Enquanto o líder indiano propôs um fluxo de 20 bilhões de dólares até 2030, o presidente brasileiro elevou o sarrafo das expectativas para 30 bilhões de dólares.

A confiança mútua decorre do salto recente nas negociações internacionais. Apenas no fechamento de 2025, o intercâmbio entre as duas nações ultrapassou os 15 bilhões de dólares, registrando uma alta substancial de 25% frente ao ano anterior.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, detalhou a assinatura de 11 acordos governamentais. As parcerias estratégicas firmadas envolvem múltiplos setores decisivos para a inovação do país:

  • Defesa e aviação civil e militar.
  • Ciência, tecnologias digitais e cooperação espacial.
  • Exploração conjunta de minerais críticos.
  • Saúde e expansão da indústria farmacêutica.

Segundo Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, a delegação brasileira inaugurou um escritório próprio em Nova Délhi e já introduziu produtos nacionais nas principais redes de supermercados locais. Um voo direto ligando as duas repúblicas está no radar logístico próximo.

Recado direto de Lula aos Estados Unidos e Trump

A agenda internacional verde-amarela também passa pelo diálogo frontal com as grandes potências ocidentais. Questionado sobre o futuro da relação diplomática secular com Donald Trump, o líder sul-americano exigiu um tratamento estritamente igualitário.

Ele minimizou os atritos tarifários recentes avaliados pela Suprema Corte norte-americana e apontou que taxas punitivas severas apenas geram inflação interna no mercado deles. A aposta de Lula é resolver as eventuais diferenças políticas sentando diretamente em uma mesa de negociações, buscando assim uma normalidade institucional plena.

“Nós queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles um tratamento também igualitário.”

Reformulação estrutural e o futuro do BRICS

O sistema de governança global vigente sofreu duras críticas ao longo da entrevista. O governo brasileiro cobrou a entrada imediata de nações africanas, latino-americanas e da própria Índia nas cadeiras permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

Sem essas mudanças emergenciais de representatividade, a organização perde eficácia diária e falha repetidamente na manutenção da paz. A alternativa apresentada para assegurar um novo equilíbrio geopolítico terrestre reside no fortalecimento contínuo e acelerado do BRICS.

Com a criação de um banco multilateral próprio e pretensões políticas evidentes, o bloco de economias emergentes representa atualmente a voz unificada de quase metade de toda a humanidade. Para Lula, a consolidação inegável desse eixo emergente pode, futuramente, unificar as grandes discussões do G20 em um formato ampliado para um eventual G30, garantindo o devido espaço de decisão aos países em desenvolvimento.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 22/02/2026
  • Fonte: FERVER