Lula mira big techs e exige regulação global na Índia

O presidente brasileiro cobrou governança sobre a inteligência artificial para frear a exploração de dados e combater a radicalização.

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Lula elevou o tom contra as Big Techs nesta quinta-feira (19) durante a Cúpula do Impacto da Inteligência Artificial em Nova Déli. O líder brasileiro apontou que o atual modelo financeiro dessas corporações depende fortemente da extração predatória de informações pessoais. Esta postura crítica marcou sua participação de destaque no evento asiático, ocorrido ao lado de lideranças globais de peso como o francês Emmanuel Macron e o anfitrião indiano Narendra Modi.

Lula defende regras rígidas contra a radicalização

A ausência de transparência nas plataformas digitais representa hoje um risco iminente e direto aos direitos humanos básicos. Para Lula, proteger a integridade da informação nas redes exige uma frente internacional amplamente coordenada. O atual mecanismo enriquece as empresas através do engajamento extremado, alimentando polarizações políticas que ameaçam as instituições.

“O modelo atual de negócios dessas empresas depende da exploração de dados pessoais, da renúncia do direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política.”

O risco invisível da concentração de infraestrutura

Poucas corporações monopolizam o controle das engrenagens algorítmicas globais atualmente. Este cenário tecnológico configura uma estrutura complexa e inédita de poder invisível. O governo federal enxerga essa concentração não como um avanço natural do mercado, mas sim como uma nítida tentativa de dominação monopolista do debate público.

“O regime de governança dessas tecnologias definirá quem participa, quem é explorado e quem ficará à margem desse processo. Colocar o ser humano no centro das nossas decisões é tarefa urgente.”

Encontro estratégico com a cúpula do Google

Logo após finalizar o discurso oficial, o chefe do Executivo atendeu prontamente a um pedido de reunião de Sundar Pichai, CEO do Google. O executivo do Vale do Silício fez questão de destacar o peso estratégico do mercado nacional para a gigante de buscas. O presidente Lula aproveitou a ocasião diplomática para detalhar a visão de seu governo sobre os rumos do desenvolvimento tecnológico. Ambas as partes sinalizaram interesse mútuo em fortalecer ações práticas conjuntas com o setor produtivo brasileiro.

O novo cenário jurídico e legislativo no Brasil

Todo esse embate diplomático acontece simultaneamente a mudanças legais drásticas no mercado interno nacional. O Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) avançam com força sobre a regulação definitiva do ambiente virtual.

As principais frentes de regulamentação vigentes envolvem:

  • Marco Legal da IA: Projeto aprovado no Senado para estabelecer limites claros e evitar distorções graves em processos eleitorais.
  • Responsabilização Proativa: Recente entendimento do STF obriga a remoção imediata de conteúdos ligados a crimes diretos contra o Estado Democrático de Direito.
  • Notificação Extrajudicial: Plataformas agora respondem civilmente logo após denúncias de atos ilícitos, dispensando ordens judiciais demoradas.
  • Exigências Administrativas: Imposição legal de manter um representante físico no Brasil e criar canais de denúncia ágeis e acessíveis.

Estas novas diretrizes derrubaram trechos históricos do antigo Marco Civil da Internet e mudam a dinâmica de operação das plataformas. A pressão governamental aumenta substancialmente para que as empresas arquem com os impactos reais de qualquer conteúdo impulsionado por dinheiro. O grande desafio agora é mensurar como o Vale do Silício ajustará suas políticas de uso diante do endurecimento jurídico brasileiro e da intensa cobrança internacional encabeçada por Lula.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 19/02/2026
  • Fonte: FERVER