Lula minimiza saída de partidos e reafirma confiança nas eleições de 2026
Após União Brasil e PP anunciarem saída do governo, Lula minimiza impacto político, mas aliados admitem riscos no Congresso
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 03/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O presidente Lula procurou minimizar o impacto do recente desembarque da federação União Brasil e Progressistas (PP) de seu governo, reafirmando a confiança em sua vitória nas eleições presidenciais de 2026. Contudo, assessores próximos ao petista reconhecem que essa mudança poderá acarretar dificuldades para a administração no Congresso Nacional.
Na terça-feira (2), a liderança da federação anunciou que os políticos em exercício que ocupam cargos na Esplanada dos Ministérios devem se desligar do governo até o dia 30 de setembro, sob pena de expulsão. Essa decisão implica na saída dos ministros André Fufuca, responsável pela pasta do Esporte, e Celso Sabino, à frente do Turismo, ambos deputados federais licenciados pelo PP e União Brasil, respectivamente.
Entretanto, a determinação da federação permite que pessoas indicadas por esses partidos possam permanecer no governo, uma vez que a comunicação se refere apenas a “detentores de mandatos”. O União Brasil ainda possui indicações em mais dois ministérios, com aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enquanto o PP mantém o controle da Caixa Econômica Federal sob Carlos Vieira, que não deverá deixar sua posição.
Lula demonstrou subestimar as consequências práticas dessa decisão partidária, argumentando que a situação não mudaria significativamente, dado que uma fração desses partidos já votava contra sua administração. Essa perspectiva é compartilhada por colaboradores do presidente, que observam que aqueles que anunciam o desembarque nem sequer integravam efetivamente seu governo, aludindo às divisões internas entre facções mais alinhadas ao Palácio e outras oposicionistas.
Em diálogos recentes, Lula lembrou que conquistou a presidência em 2002 com uma aliança composta por cinco partidos e ampliou essa coligação para nove em 2022, sendo todos fora da órbita do centrão. Desde a reunião ministerial na semana anterior, onde enfatizou a necessidade de defesa do governo pelos ministros centristas, o presidente tem reiterado que esses partidos não eram parte de sua base de apoio original.
O presidente também aconselhou membros do PT a não se precipitar na formação de uma coligação ampla. A estratégia sugerida por seus aliados seria buscar dissidentes dentro dessas legendas e estabelecer alianças regionais em diferentes estados. Em uma dessas discussões, Lula admitiu que, se não pudesse contar com esses partidos em sua própria candidatura, o ideal seria impedir que formalmente apoiassem adversários, especialmente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Adicionalmente, interlocutores próximos ao presidente afirmam que ele já previa essa movimentação por parte dos partidos centristas, uma vez que seus líderes vinham sinalizando há semanas a possibilidade de deixar o governo. Essa percepção faz com que Lula não tenha sido pego desprevenido por esse desenlace, diferentemente de episódios anteriores onde decisões no Congresso surpreenderam sua administração.
Entretanto, persiste um ceticismo entre membros do governo e parlamentares sobre a real extensão desse desembarque e se ele efetivamente se concretizará até o final do mês. Apesar disso, assessores reconhecem que essa reconfiguração pode influenciar negativamente as votações de propostas governamentais no Congresso em um momento em que o Planalto busca reverter a queda na popularidade da gestão.
A atual situação tem potencial para aumentar a instabilidade do Executivo no Legislativo, onde as forças progressistas são minoria. Com isso, a base governista poderia ser reduzida a apenas 259 deputados – um número apenas ligeiramente superior à metade necessária para aprovação das pautas.
Além disso, há preocupações sobre como discussões relacionadas à anistia dos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro poderiam interferir nas prioridades legislativas em ambas as casas do Congresso. A federação expressou apoio à anistia proposta para Jair Bolsonaro (PL), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), antes relutante sobre a questão, agora admite estar avaliando-a.
Um membro da administração comentou que qualquer reação ao desembarque será abordada com cautela. Ele destacou a importância de avaliar calmamente as consequências dessa situação antes de tomar decisões sobre possíveis medidas corretivas. Esse aliado não descartou uma revisão das indicações feitas por políticos desses partidos para cargos federais nos estados.
A ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) enfatizou a necessidade de compromisso dos indicados com Lula e as pautas prioritárias deste governo. “Aqueles que permanecerem devem ter comprometimento com o presidente Lula e trabalhar conosco para aprovar as iniciativas essenciais no Congresso Nacional”, afirmou.
Por outro lado, parlamentares aliados têm minimizado os efeitos desse desembarque como uma oportunidade para definir claramente quem está verdadeiramente ao lado do governo federal. Existe uma avaliação entre esses deputados de que os temas debatidos pelo Congresso são impopulares e acreditam ser possível evitar avanços sobre questões controversas como a anistia devido à pressão pública.
Petistas argumentam ainda que Tarcísio pode sair desgastado desse processo junto ao eleitorado ao tentar negociar com lideranças centristas para viabilizar a votação da anistia.