Em São Paulo, Lula lança novo modelo de crédito imobiliário 

O presidente Lula esteve na Capital Paulista para o lançamento do novo modelo imobiliário com ingresso de R$50 bilhões

Crédito: Celso Rodrigues/ABCdoABC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em São Paulo, na manhã desta sexta-feira (10), no Centro de Convenções Rebouças, local onde anunciou o novo modelo de crédito imobiliário, que promove a reforma estrutural no uso da poupança para alavancar o crédito habitacional e moderniza as regras de direcionamento do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), para tornar o uso da poupança mais eficiente e ampliar a oferta de crédito imobiliário.

Evento ocorreu no Centro de Convenções Rebouças, na Capital Paulista – Foto: Celso Rodrigues/ABCdoABC

Além do número um do Planalto Federal, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e das Cidades, Jader Filho, o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e outras autoridades participaram do evento.

Como surgiu a ideia?

O presidente Lula, ao discursar, explicou como surgiu a ideia de implementar esse novo modelo de crédito imobiliário e, que a princípio seria um percentual menor, mas o projeto conseguiu ser mais amplo.

Lula disse que a ideia inicial era liberar 5% do compulsório, mas a proposta de Galípolo foi de liberar todo o recurso – Foto: Celso Rodrigues/ABCdoABC

“Quando a grande reivindicação era para que eu liberasse 5% do compulsório destinado exclusivamente à habitação, fui chamar o Galípolo para dizer qual era a expectativa para liberar 5% do compulsório. E ele falou que tinha uma coisa melhor, liberar todo o compulsório e, dessa reunião, surgiu essa proposta de crédito que estamos fazendo hoje”, explicou Lula com se deu o início do projeto.

O déficit habitacional se arrasta por anos no Brasil, mas, em 2023 alcançou o menor índice: 5,97 milhões de moradias desde o início da série histórica indicada pela Fundação João Pinheiro, que começou em 2016.

Injeção de R$ 50 bilhões

E, para tentar resolver o problema, o Governo Federal lançou esse novo modelo que vai injetar R$50 bilhões ao potencializar o direcionamento dos recursos dos depósitos da poupança e permitir o uso de parte dos impostos compulsórios para a contratação de operações de financiamento imobiliário.

Baixo salário impede a aquisição da casa própria

Em determinado momento, Lula expressou sua percepção quanto ao ganho salarial do brasileiro e que, ainda que os vencimentos pareçam bons, esses trabalhadores não se enquadram nas faixas que permitem ingressar nos programas habitacionais e não estão no rol dos ricos ou super-ricos.

Presidente e autoridades assinam a resolução do projeto – Foto: Celso Rodrigues/ABCdoABC

“Um trabalhador metalúrgico, bancário, químico, gráfico, da Caixa Econômica, professor, ganha 10 mil por mês, 8 mil, e não ganham tão bem quanto a gente imagina. Então, essa pessoa não tem direito de comprar casa, porque não são pobres, não estão na faixa 1, nem na faixa 2. E essas pessoas não têm nada para elas. Então, esse programa foi feito pensando nessa gente. Pensando em dar àqueles que ainda não têm direito, a ter sua casinha um pouco melhor. Ele não quer uma casa de 40m², quer uma casa de 70, 80m². Ele quer morar em um lugar mais próximo de onde ele está habituado a morar. Então, o que nós vamos tentar fazer é adequar as dificuldades econômicas das pessoas, levando em conta o respeito à dignidade humana de morar em um lugar onde ele pensa que é bom morar e que ele tem que morar. É para isso que foi criado esse programa”, ressaltou o presidente da República.

Ao fazer uso da palavra, o presidente do BC destacou que o setor imobiliário é importante para medir o potencial econômico de um país.

Galípolo afirmou que a força do crédito imobiliário é símbolo de força da economia – Foto: Celso Rodrigues/ABCdoABC

“É um dos indicadores mais importantes que tem para a saúde de uma economia. A força do crédito imobiliário é um símbolo de força da economia e na vida das pessoas também. Geralmente, a nossa casa é o ativo de maior valor, pelo menos de valores financeiros, que a gente consegue adquirir das nossas vidas. É aquilo que a maior parte de nós deixa para os nossos familiares, ressaltou Galípolo.

Além desse aspecto que interfere na economia nacional, Gabriel lembrou que um bem imóvel é utilizado, também, na maior parte das economias, como principal ativo e garantia para a conquista de um financiamento mais barato.

E para exemplificar como o Brasil está atrás, Galípolo usou de comparação um país vizinho.

“Porém, quando a gente compara com outros países pares, ainda tem indicadores que estão abaixo de muitos de outros países. A gente tem o Chile com quase três vezes maior participação de crédito imobiliário que o Brasil, e se a gente comparar com outros países é a metade”, lamentou ele.

O vice-presidente e ministro, Geraldo Alckmin fez questão de lembrar que a compra de um imóvel pela classe social menos favorecida é um desafio enorme e falou dos números representativos da Caixa Econômica Federal.

Comprar uma casa para o rico não é problema, mas para um assalariado é difícil, o valor é alto. 99,5% do Minha Casa, Minha Vida, é financiado pela Caixa. E hoje, estamos aumentando a oferta de crédito, modernizando o sistema brasileiro de poupança e empréstimos. Isso vai ser mais casa, mais emprego, esse é um setor campeão em termos de geração de emprego e renda”, celebrou o segundo na hierarquia do Planalto Federal.

Já o ministro Jader Filho comemorou a baixa taxa de juros, expôs os números em percentuais do Minha Casa, Minha Vida e qual a faixa social que mais se beneficiou.

 “Nesse momento, a taxa de juros é a menor da história de todos os programas habitacionais já feitos nesse país. O Norte e o Nordeste do Brasil tem 4% e o restante 4,25%. Com essas mexidas, a gente tem unificado os programas habitacionais pelo país, com estados e municípios para contribuírem também, dando valores para que possam ser dada entrada ou dando terrenos para que essas edificações, para que essas casas pudessem ser construídas. Inclusive, no programa Minha Casa, Minha Vida, no ano de 2024, a faixa 1, a faixa mais baixa do segmento, foi responsável por 43%, todos os financiamentos que o Minha Casa, Minha Vida fez em 2024”, recordou o ministro.

O presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras e Imobiliárias, Luiz França, reiterou que esse novo modelo vai propiciar a muitos brasileiros a conquistar seu imóvel e relatou os números referentes aos financiamentos do Minha Casa, Minha Vida.

Luiz França afirmou que esse novo modelo permitirá a milhares de pessoas a comprar a casa própria – Foto: Celso Rodrigues/ABCdoABC

“O novo modelo de financiamento tem como objetivo alavancar a oferta de crédito, o que vai ser uma coisa importante para a classe média brasileira, permitindo que centenas de milhares de famílias possam realizar o tão chamado sonho da casa própria”, e prosseguiu:

“O Minha Casa, Minha Vida já está consolidado como política de Estado, foi criado em 2009 e possibilitou a construção de 10 milhões de moradias com financiamento de R$1 trilhão, o que prova a eficácia e a importância desse programa”.

De acordo com Gabriel Galípolo, a limitação da fonte de recursos, limita também o crescimento do mercado imobiliário e tem até gerado essa tendência de quebra, e classificou como “importante o que está se apresentando hoje”, e concluiu:

“Ao liberar esses recursos da poupança para investir em ativos que são mais líquidos, e usar recursos de mercado para financiar o imobiliário, a gente também endereça essa questão de estabilidade, afirmou o presidente do BC.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 11/10/2025
  • Fonte: Sorria!,