Lula reforça laços com Vietnã e Singapura durante Cúpula da ASEAN
Presidente brasileiro propõe ampliar cooperação econômica e ambiental e convida países asiáticos a participarem do Fundo Florestas Tropicais para Sempre
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 26/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Durante sua participação na 47ª Cúpula da ASEAN, realizada neste domingo (26) em Kuala Lumpur, na Malásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve uma série de encontros bilaterais com líderes asiáticos, reforçando a estratégia brasileira de aproximação com o continente.
Entre as reuniões, destacaram-se os encontros com o primeiro-ministro do Vietnã, Pham Minh Chinh, e com o novo primeiro-ministro de Singapura, Lawrence Wong.
No diálogo com o premiê vietnamita, Lula lembrou que esta foi a continuidade de uma agenda de cooperação iniciada nos últimos dois anos, marcada por reuniões em fóruns como o BRICS, no Rio de Janeiro.
O presidente agradeceu o avanço na abertura do mercado vietnamita para produtos brasileiros e reafirmou a meta de ampliar o comércio bilateral para US$ 15 bilhões até 2030.
Ambos os líderes defenderam a diversificação de parcerias como caminho para enfrentar os desafios do comércio global. Pham Minh Chinh também manifestou interesse em estreitar as relações com o Mercosul, e Lula reiterou que o Brasil pretende negociar um Acordo-Quadro de Cooperação Econômica com o Vietnã até o fim de sua presidência no bloco.
Cooperação ambiental e a COP30 no horizonte
As discussões entre Lula e Chinh na ASEAN também abordaram o papel das nações emergentes na agenda ambiental global. O presidente brasileiro convidou o Vietnã a participar com uma delegação de alto nível da COP30, que será realizada em 2025, em Belém (PA).
Ele destacou o desejo de ampliar o financiamento climático e de consolidar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, uma proposta brasileira que visa incentivar a preservação de biomas e garantir recursos permanentes para países detentores de florestas tropicais.
O primeiro-ministro vietnamita declarou apoio às iniciativas lideradas pelo Brasil e ressaltou o alinhamento entre os dois países nas discussões sobre reformas das instituições multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU, reforçando a importância de maior representatividade dos países do Sul Global.
Parceria estratégica com Singapura
Mais cedo na ASEAN, Lula se reuniu com o primeiro-ministro de Singapura, Lawrence Wong, também à margem da cúpula. Os dois governantes reafirmaram a importância dos laços econômicos existentes e discutiram oportunidades de ampliar a cooperação em inovação, economia verde e mineração.
Durante o encontro, Lula e Wong destacaram o compromisso mútuo no combate ao aquecimento global e a necessidade de uma governança climática mais efetiva. O premiê de Singapura confirmou o apoio de seu país à realização da COP30 e recebeu convite formal para aderir ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
As conversas na ASEAN também abordaram áreas de investimento estratégico ligadas à transição energética, como hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis de aviação, diesel verde, energia eólica offshore e minerais críticos para tecnologias limpas.
As conversas também abordaram áreas de investimento estratégico ligadas à transição energética, como hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis de aviação, diesel verde, energia eólica offshore e minerais críticos para tecnologias limpas.
Brasil e Ásia: aproximação estratégica na ASEAN

Os encontros de Lula com os líderes de Vietnã e Singapura reforçam a prioridade do governo brasileiro em estreitar relações com o Sudeste Asiático — uma região vista como essencial para a diversificação das parcerias econômicas e o fortalecimento da política ambiental global.
Segundo interlocutores do Itamaraty, a agenda de Lula na ASEAN busca consolidar o papel do Brasil como ator de peso tanto nas negociações comerciais quanto nas discussões climáticas. Em suas declarações, o presidente enfatizou que, apesar da distância geográfica, Brasil, Vietnã e Singapura compartilham “a mesma visão de futuro: desenvolvimento sustentável com inclusão e soberania”.